Nesta manhã, a Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. O homem que Ibaneis Rocha colocou no comando do banco do Governo do Distrito Federal agora está atrás das grades. E o pior para o lado de lá: ele já dava claros sinais de que pretendia fazer delação premiada. O cronômetro não para mais.
Quem acompanha sabe: quando o peão principal começa a cantar, o jogo vira. E o nome que mais pesa no ar é o de Ibaneis Rocha. Mas não só. Celina Leão também tem motivos para suar frio.
Durante sete anos e quatro meses ela posou ao lado de Ibaneis, aparecendo em fotos, lives e entrevistas repetindo a mesma ladainha: “nosso governo”, “nós estamos fazendo”. Vice-governadora atuante, que substituía o titular por longos períodos e participava das principais decisões. Agora, de repente, vira santa inocente que “não sabia de nada”?
Não cola, dona Celina.
É a mesma falácia velha que ela tenta vender: “é um novo governo”. Mentira. É o governo Ibaneis 2.0 — mesma máquina, mesmos quadros, mesmos métodos, só com filtro de Instagram e factoides diários. Mesma continuação disfarçada de ruptura.
Paulo Henrique era o presidente do banco que Ibaneis indicou. Despachava direto com o governador. Negociava bilhões com o Master. E a vice-governadora, que vivia colada no Palácio, quer que o povo acredite que nunca soube de nada? Que nunca perguntou? Que nunca foi informada de operações bilionárias envolvendo o banco do Estado?
O tic-tac não para. A delação de Paulo Henrique vem aí — e com ela, detalhes, e-mails, conversas e indicações que dificilmente vão poupar quem mandava de fato no Buriti (e quem estava na sala ao lado de um palácio onde as paredes têm ouvidos).
Durmam com isso. Quando o ex-presidente do BRB começa a abrir o bico, o silêncio conveniente de ontem vira pesadelo hoje.
O relógio está correndo. E desta vez parece que está mais perto do Palácio do que nunca.

