Organização criminosa atuava há mais de cinco anos manipulando identidade financeira de vítimas; mais de R$ 11 milhões foram bloqueados e veículos apreendidos
Nesta sexta-feira (8), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por intermédio da 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), deflagrou a Operação Vitruvio, a qual desarticulou uma organização criminosa responsável por uma fraude milionária altamente estruturada, baseada na criação de perfis financeiros artificiais para obtenção de crédito e desvio de bens. O nome da operação faz referência ao “Homem Vitruviano”, símbolo da perfeição, em alusão à estratégia dos criminosos de transformar pessoas vulneráveis em “clientes ideais” para aprovação de crédito junto a instituições financeiras.
Modus operandi
As investigações apontaram que o grupo atuava há mais de cinco anos recrutando pessoas de baixa renda, fornecendo documentos falsificados — especialmente comprovantes de renda e residência — e conduzindo essas vítimas para abertura de contas e contratação de consórcios já em fase avançada. O esquema possuía um diferencial sofisticado: ele se autoalimentava. Os investigados utilizavam as próprias contas bancárias abertas em nome dos “laranjas” para obter empréstimos, cujos valores eram utilizados para ofertar lances em consórcios vinculados a outros “laranjas”, criando um ciclo contínuo de fraude e ampliação do prejuízo.
Após a liberação das cartas de crédito, veículos eram adquiridos e rapidamente revendidos com deságio, enquanto as parcelas deixavam de ser pagas. As dívidas permaneciam em nome dos contratantes formais, enquanto os verdadeiros beneficiários permaneciam ocultos. A investigação contou com apoio fundamental da Unidade de Segurança Institucional – Gerência de Informações Estratégicas em Segurança da instituição financeira, que auxiliou na identificação do padrão criminoso e no fornecimento de dados estratégicos.
A estrutura do grupo revelava um núcleo familiar fortemente interligado, composto por duas irmãs entre as principais integrantes da organização, além da participação de seus atuais companheiros e ex-companheiros, o que evidenciava um alto grau de confiança interna e divisão coordenada de funções. No grupo investigado, há predominância de homens, com idades que variam aproximadamente entre 20 e 60 anos, distribuídos em diferentes níveis de atuação dentro do esquema.
A Operação
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diversas regiões do Distrito Federal e entorno, incluindo Ceilândia, Taguatinga, Guará, Vicente Pires e Águas Lindas de Goiás. Também foram expedidos mandados de prisão contra investigados: uma mulher de 37 anos, e homens de 33 anos, 29 anos, 39 anos e 31 anos.
A ação resultou na apreensão de vários veículos que foram adquiridos com o golpe e usados ou revendidos pela organização criminosa que permanecerão à disposição da Justiça e poderão ser alienados para ressarcimento parcial do prejuízo causado, conforme decisão judicial. Também forma apreendidas armas de fogo de uso de integrantes do grupo. Além disso, foi determinado o bloqueio de mais de R$ 11 milhões em contas vinculadas ao grupo, atingindo dezenas de vínculos bancários utilizados na fraude.
A operação contou ainda com o apoio do Departamento de Operações Especiais (DOE) e do DETRAN/DF, garantindo suporte estratégico e de inteligência à deflagração. Os investigados responderão pelos crimes de estelionato (art. 171 do Código Penal), organização criminosa (Lei nº 12.850/2013) e lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998), cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão, a depender da participação individual de cada integrante.
Assessoria de Comunicação – PCDF
PCDF, excelência na investigação
