CLDF presta homenagem a heróis de guerra da Força Expedicionária Brasileira
Solenidade relembra a atuação da FEB na Batalha de Monte Castello e o legado dos ex‑combatentes
Em solenidade realizada no plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), nesta segunda‑feira (4), militares do Exército Brasileiro e familiares de pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que atuaram na Segunda Guerra Mundial, foram homenageados com moções de louvor. A cerimônia foi idealizada pelo deputado Roosevelt Vilela (PL) e contou também com a presença de representantes de associações de ex‑combatentes. A homenagem destacou os feitos dos militares brasileiros durante a Batalha de Monte Castello, no norte da Itália. O confronto integra os eventos que culminaram no Dia da Vitória, celebrado em 8 de maio de 1945, data que marcou a rendição das tropas alemãs.
“Estamos aqui para reconhecer nosso passado, nossos heróis, pessoas que contribuíram efetivamente — muitas vezes com o sacrifício da própria vida — para que trilhássemos o caminho em que estamos hoje”, declarou Roosevelt.

O parlamentar ressaltou valores como coragem e perseverança como marcas fundamentais dos pracinhas da FEB e afirmou que esses atributos devem servir de exemplo para as futuras gerações. “O legado, a trajetória e a bravura dessas pessoas nos orgulham e nos mostram um caminho. Sinto‑me muito lisonjeado de estar aqui prestando esta homenagem”, afirmou.
Representando a Associação Histórico‑Cultural Monte Castello, Flávio Noronha descreveu os combates e os reflexos históricos da atuação brasileira na guerra. Segundo ele, a FEB permaneceu por sete meses e 19 dias em solo europeu e teve importância crucial para o desfecho do conflito.
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“Oito de maio representa o suspiro profundo de um mundo que finalmente voltou a respirar. Foi o dia em que os ideais tirânicos encontraram limites nas forças aliadas, dentre elas a FEB, cujos combatentes se tornaram gigantes”, disse.
O presidente da Associação dos Ex‑combatentes do Brasil – Sede Brasília (AECB‑DF) destacou a importância das entidades associativas para o acolhimento de ex‑combatentes e seus familiares, além do papel fundamental na preservação da memória militar. Segundo ele, o Estado brasileiro não teria dado a devida atenção aos heróis de guerra, que teriam sido “abandonados à própria sorte” após o retorno do conflito.
“A missão das associações é tentar corrigir os erros deixados como legado pelo Estado brasileiro, lutando pelo bem‑estar dos ex‑combatentes e de seus descendentes”, afirmou.

O general de brigada Luiz Eduardo Rocha Paiva falou sobre as dificuldades logísticas e estruturais enfrentadas pelo Exército brasileiro à época, destacando os desafios para o envio das tropas ao combate. Segundo informou, em 1943, o Brasil mobilizou cerca de 25 mil combatentes — operação que, mesmo com a estrutura atual, seria considerada extremamente complexa.
“O Brasil não estava preparado para uma guerra, mas a honra nacional ferida precisava ser lavada. A FEB superou enormes dificuldades logísticas, demonstrou o valor do nosso povo e marcou o início da projeção do Brasil no cenário mundial”, afirmou.
Durante a cerimônia, o deputado Roosevelt Vilela entregou uma moção de louvor ao tenente‑coronel Nestor da Silva, combatente da Batalha de Monte Castello, atualmente com 108 anos. A honraria foi recebida pela filha do militar, Márcia Maria da Silva Leme. O parlamentar informou ainda que será concedido ao tenente‑coronel o Título de Cidadão Honorário de Brasília.
“Que a história da FEB não seja esquecida. Que as escolas, as entidades e o Exército Brasileiro continuem divulgando esse legado para que nossos jovens saibam que tivemos heróis nacionais e internacionais”, declarou Márcia ao receber a homenagem. Ao final da solenidade, militares representantes de associações de ex‑combatentes também foram agraciados com moções de louvor.
A FEB na Segunda Guerra
A participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial começou a ser desenhada em 1942, quando submarinos alemães e italianos passaram a torpedear navios mercantes brasileiros no Atlântico, provocando a morte de centenas de civis. Os ataques, concentrados sobretudo em agosto daquele ano, causaram comoção nacional e manifestações populares que pressionaram o governo de Getúlio Vargas a abandonar a neutralidade. Em 22 de agosto de 1942, o Brasil declarou guerra às potências do Eixo e, no ano seguinte, decidiu enviar uma força terrestre para lutar ao lado dos Aliados na Europa.
Criada oficialmente em 1943, a FEB foi formada por cerca de 25 mil soldados, em sua maioria civis convocados, que passaram por treinamento acelerado e receberam equipamentos norte‑americanos. O primeiro contingente embarcou para a Itália em julho de 1944, integrando o V Exército dos Estados Unidos, na Campanha da Itália. A chegada dos brasileiros marcou a entrada do Brasil como o único país da América do Sul a enviar tropas terrestres para o front europeu, em um contexto grandes desafios logísticos e climáticos.
Em solo italiano, a FEB enfrentou um dos terrenos mais difíceis do conflito: os Apeninos, com frio intenso, neve e posições alemãs fortificadas. Os brasileiros participaram de combates decisivos, como Monte Prano, Monte Castello, Castelnuovo di Vergato e Montese. A vitória em Monte Castello, em 21 de fevereiro de 1945, após meses de tentativas frustradas, tornou‑se o símbolo maior da atuação da FEB, abrindo caminho para o avanço aliado no norte da Itália e consolidando a reputação de combate dos pracinhas.
Na fase final da guerra, a FEB protagonizou sua maior vitória tática na batalha de Collecchio‑Fornovo, em abril de 1945, quando cercou e forçou a rendição de cerca de 15 mil a 20 mil soldados alemães e italianos, incluindo unidades inteiras do Eixo. Poucas semanas depois, em 8 de maio de 1945, a rendição incondicional da Alemanha pôs fim à guerra na Europa. O Brasil saía do conflito com reconhecimento internacional, centenas de baixas e um legado histórico marcado pela participação decisiva de seus soldados na derrota do nazifascismo.
