segunda-feira, agosto 17, 2026

Celina sabe que não tem chance: a única saída é o tapetão judicial


Logo após o registro de candidatura, José Roberto Arruda já virou alvo de pedidos de impugnação. O movimento não surpreende. O que surpreende é a insistência em tentar tirá-lo do jogo pelas vias judiciais, quando o próprio histórico recente e a legislação de 2025 apontam que a elegibilidade dele está garantida.

A defesa de Arruda é clara: as causas de inelegibilidade que o atingiram no passado já cumpriram seu prazo. Em 2022, o TRE-DF deferiu seu registro para deputado federal. Agora, com as alterações legislativas de 2025, o argumento se reforça. O próprio Arruda tem dito publicamente que está apto — e, em tom provocativo, chegou a soltar o clássico “aceita que dói menos”.

A pergunta que fica, então, é inevitável: se a candidatura é juridicamente sustentável, por que a pressa em tentar barrá-la na Justiça?

Porque Arruda incomoda. E incomoda de verdade.

Ele não é um estreante. É um nome conhecido, com trajetória, presença nas pesquisas e capacidade de polarizar. Esteve no debate da Band ao lado de Celina Leão e dos demais pré-candidatos. Sua presença já altera o tabuleiro. E é exatamente aí que o cálculo político se revela: enfrentá-lo nas urnas é arriscado demais. Muito mais conveniente tentar tirá-lo do caminho antes que o eleitor tenha a chance de decidir.

Impugnação é instrumento legítimo. Ninguém nega isso. Mas também é legítimo observar o que a iniciativa revela. Quando o adversário prefere a arena judicial à disputa eleitoral, o medo das urnas deixa de ser apenas especulação e passa a ser hipótese concreta.

Há um risco real nessa estratégia. Se a Justiça rejeitar as impugnações — e há elementos para isso —, Arruda sai fortalecido. Pode transformar a tentativa de barrá-lo em discurso de perseguição, de “tapetão”, de quem não quer o confronto democrático. E, em campanha, esse tipo de narrativa costuma ter peso.

O silêncio em torno dos problemas do governo atual só torna o contraste mais gritante. Enquanto a lupa se concentra em Arruda, o rombo do BRB, as mortes na saúde, as obras paradas e o caos administrativo seguem em segundo plano. A prioridade parece ser limpar o caminho nas urnas, não limpar a casa no Buriti.

A Justiça Eleitoral terá a palavra final. Mas o jogo político já está posto. Arruda voltou ao centro da disputa. E, gostem ou não, quem quiser vencê-lo terá que fazê-lo onde a democracia realmente se decide: nas urnas.

Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando o governo prefere o tapetão judicial ao confronto eleitoral, não está defendendo a legalidade. Está confessando, em silêncio, que o eleitor é o adversário mais perigoso.



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Logo após o registro de candidatura, José Roberto Arruda já virou alvo de pedidos de impugnação. O movimento não surpreende. O que surpreende é a insistência em tentar tirá-lo do jogo pelas vias judiciais, quando o próprio histórico recente e a legislação de 2025 apontam que a elegibilidade dele está garantida.

A defesa de Arruda é clara: as causas de inelegibilidade que o atingiram no passado já cumpriram seu prazo. Em 2022, o TRE-DF deferiu seu registro para deputado federal. Agora, com as alterações legislativas de 2025, o argumento se reforça. O próprio Arruda tem dito publicamente que está apto — e, em tom provocativo, chegou a soltar o clássico “aceita que dói menos”.

A pergunta que fica, então, é inevitável: se a candidatura é juridicamente sustentável, por que a pressa em tentar barrá-la na Justiça?

Porque Arruda incomoda. E incomoda de verdade.

Ele não é um estreante. É um nome conhecido, com trajetória, presença nas pesquisas e capacidade de polarizar. Esteve no debate da Band ao lado de Celina Leão e dos demais pré-candidatos. Sua presença já altera o tabuleiro. E é exatamente aí que o cálculo político se revela: enfrentá-lo nas urnas é arriscado demais. Muito mais conveniente tentar tirá-lo do caminho antes que o eleitor tenha a chance de decidir.

Impugnação é instrumento legítimo. Ninguém nega isso. Mas também é legítimo observar o que a iniciativa revela. Quando o adversário prefere a arena judicial à disputa eleitoral, o medo das urnas deixa de ser apenas especulação e passa a ser hipótese concreta.

Há um risco real nessa estratégia. Se a Justiça rejeitar as impugnações — e há elementos para isso —, Arruda sai fortalecido. Pode transformar a tentativa de barrá-lo em discurso de perseguição, de “tapetão”, de quem não quer o confronto democrático. E, em campanha, esse tipo de narrativa costuma ter peso.

O silêncio em torno dos problemas do governo atual só torna o contraste mais gritante. Enquanto a lupa se concentra em Arruda, o rombo do BRB, as mortes na saúde, as obras paradas e o caos administrativo seguem em segundo plano. A prioridade parece ser limpar o caminho nas urnas, não limpar a casa no Buriti.

A Justiça Eleitoral terá a palavra final. Mas o jogo político já está posto. Arruda voltou ao centro da disputa. E, gostem ou não, quem quiser vencê-lo terá que fazê-lo onde a democracia realmente se decide: nas urnas.

Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando o governo prefere o tapetão judicial ao confronto eleitoral, não está defendendo a legalidade. Está confessando, em silêncio, que o eleitor é o adversário mais perigoso.



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