De cada dez reais gerados pela economia do Distrito Federal em um ano inteiro — pelo trabalho de quase três milhões de pessoas, por empresas, por impostos —, um real inteiro foi parar no buraco. R$ 36,6 bilhões. Esse o valor que se sabe quando somados o rombo já apurado da exposição do BRB ao ecossistema de Vorcaro e o empréstimo bilionário que o negociado por Celina Leão para tentar conter o derretimento do banco.
R$ 36,6 bilhões é um valor que desafia a compreensão. Para se ter uma ideia real do que foi destruído, basta comparar com o que esse dinheiro poderia ter financiado no Distrito Federal:
- Seria possível construir mais de 4 mil escolas públicas completas.
- Ou mais de 9 mil postos de saúde equipados.
- Ou mais de 240 hospitais de pequeno e médio porte.
- Ou comprar mais de 146 mil viaturas para a Polícia Militar.
- Ou mais de 73 mil ambulâncias equipadas.
- Ou pavimentar mais de 9 mil quilômetros de vias públicas.
- Ou manter os Restaurantes Comunitários do DF funcionando exatamente como hoje por 381 anos seguidos.
Em vez disso, o que temos é um buraco. Um buraco que já exige que o próprio Governo do Distrito Federal pegue mais R$ 6,6 bilhões emprestados — uma dívida que também terá que ser paga com juros, provavelmente com recursos que deveriam ir para investimento e manutenção da cidade.
Isso não é apenas má gestão. É uma transferência brutal de riqueza. São recursos que saíram do bolso do contribuinte e foram parar em operações que hoje se revelam, no mínimo, temerárias.
Não é apenas um número frio. É dinheiro público. É recurso que saiu do bolso do contribuinte e desapareceu em operações de alto risco, carteiras sem lastro, ativos inflados e decisões que, no mínimo, revelam uma irresponsabilidade absurda por quem estava no comando.
Celina Leão e Ibaneis Rocha governaram o Distrito Federal nos últimos sete anos e meio. Celina foi vice-governadora durante quase todo esse período e depois assumiu o governo. Por mais que neguem, estavam ali na sala de comando do governo que tomou as decisões que permitiram que o BRB — banco público — mergulhasse em uma exposição de R$ 30 bilhões ligada ao Banco Master.
Isso sem contar o papel patético da A Câmara Legislativa que ignorou todos os avisos e endossou essa lambança.
Mesmo que a Justiça ainda precise determinar o grau de dolo e as responsabilidades individuais — e ela vai fazer isso —, não é possível ignorar a culpa grave de quem estava na gestão. Governar não é só posar para foto e fazer discurso. É zelar pelo dinheiro público. Quando gestores públicos ignoram alertas, aceleram aprovações duvidosas e depois aparecem surpresos com o tamanho do prejuízo, eles respondem, no mínimo, por negligência grave.
E o mais grave: quem tomou essas decisões continua, em grande parte, circulando pelos corredores do poder, posando de gestor responsável e tentando se descolar do próprio passado. Celina Leão, que foi parte ativa do governo durante todo esse período, agora fala em “novo governo” e “choque de gestão”, como se o rombo tivesse caído do céu.
Não caiu. Foi construído.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando um governo consegue destruir, em poucos anos, o equivalente a 10% de toda a riqueza anual de um estado, não estamos falando de erro técnico. Estamos falando de uma escala de prejuízo que, historicamente, só costuma ser vista em grandes escândalos de corrupção sistêmica ou em regimes de ditatoriais. O Distrito Federal não merece carregar esse peso. E quem ajudou a produzir esse rombo precisa ser cobrado por ele. Nas urnas, na Justiça e na memória da população.
