Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e de outras instituições foram homenageados na manhã desta sexta-feira (6) em sessão solene realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal por suas pesquisas que resultaram na criação, durante a pandemia de Covid-19, da máscara Vesta de proteção facial antiviral. A iniciativa da homenagem partiu do deputado distrital Rogério Morro da Cruz (PRD).
“Em março de 2020, quando a pandemia da Covid-19 revelou a fragilidade do país diante da escassez de equipamentos de proteção, pesquisadores da UnB fizeram uma escolha. Naquele momento, poderiam ter esperado, poderiam ter alegado que faltavam recursos, estrutura e tempo. Em vez disso, reuniram mais de 90 pessoas de diferentes áreas e começaram a trabalhar voluntariamente, em regime de urgência, movidos por convicção simples, qual seja, de que o conhecimento podia salvar vidas. O resultado dessa mobilização foi a máscara Vesta. O primeiro equipamento desenvolvido no Brasil capaz de matar vírus e bactérias”, destacou Rogério Morro da Cruz na abertura da solenidade.
Para a professora associada da Universidade de Brasília e líder da equipe de ensaios não clínicos da máscara Vesta, Marcella lemos Brettas Carneiro, o produto final é resultado de um trabalho coletivo em prol dos profissionais de saúde que estavam na linha de frente durante a pandemia. “Em 11 de março de 2020, a professora Suélia me pediu para montarmos um grupo de pesquisadores para que pudessem trabalhar em algo para aquele momento difícil de falta de UTIs. Criamos um grupo chamado Projeto Vida para atuar naquela situação em que as pessoas estavam morrendo e nos preocupamos em criar algo para proteger aqueles que cuidavam, que estavam deixando seus lares para assumir riscos em nome de um bem maior, que é cuidar das pessoas”, explicou.
A professora Suelia de Siqueira Rodrigues Fleury Rosa completou o raciocínio da colega e compartilhou sua experiência pessoal durante o desenvolvimento da máscara Vesta. “Observamos que o resultado desta pesquisa mostra a atuação da universidade como essencial para a transferência de conhecimento em prol do cuidado do ser humano. Me lembro quando ainda estávamos discutindo a máscara Vesta e víamos a esperança nos olhos das pessoas pela perspectiva de poderem voltar a ter uma vida rotineira num momento em que não havia ainda a vacina”, contou.
O professor associado da UnB e pesquisador responsável pela etapa clínica de testes com a máscara Vesta, Rodrigo Luiz Carregaro, lembrou a importância de se fortalecer as fundações públicas de apoio à pesquisa. “Ciência é uma política de estado e precisamos de continuidade, previsibilidade e critérios técnicos. Em muitos casos, pesquisas de projetos inovadores carregam risco e por isso a iniciativa privada não consegue fomentar essas pesquisas desde o início. Daí a importância das fundações de pesquisa. Fundações como a FAP-DF compartilham risco para trazer benefício social”, destacou.
A superintendente da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF, Renata de Castro Vianna, reforçou o papel de sua instituição. “É uma honra para a FAP-DF poder financiar e fomentar pesquisas nas universidades do Distrito Federal”, afirmou. Ao final da sessão solene foram entregues moções de louvor a pesquisadores e demais participantes do projeto que resultou na criação da máscara Vesta.
