Os números até colocam Celina Leão na dianteira da disputa pelo Governo do Distrito Federal, mas a leitura fria dos dados desmonta qualquer discurso de favoritismo confortável. A vice-governadora lidera, sim — e lidera também o ranking de rejeição. Em termos eleitorais, isso não é força, é limite. Rejeição elevada costuma funcionar como teto, especialmente em cenários com alto índice de indecisos, como o atual.
Quase um terço do eleitorado ainda não se comprometeu com nenhum nome, o que revela que a suposta liderança não se converteu em confiança consolidada. Em outras palavras: Celina aparece, mas não cresce. E quando a rejeição avança mais rápido que a intenção de voto, o sinal é claro de desgaste.
No Senado, o cenário é ainda mais revelador. Ibaneis Rocha surge numericamente à frente, mas tecnicamente empatado com seus principais adversários. Para quem ocupa o cargo de governador, empatar não é virtude — é sintoma. O eleitor parece fazer uma distinção cada vez mais nítida entre poder institucional e respaldo popular.
Enquanto os nomes ligados ao governo demonstram dificuldade de expansão, José Roberto Arruda avança de forma constante. Mesmo partindo de uma base menor, ocupa com solidez o campo da oposição e apresenta rejeição inferior à da líder do governo. Trata-se de um dado estratégico: há espaço real para crescimento conforme o debate eleitoral se intensifique e os indecisos comecem a se posicionar.
Na corrida ao Senado, Leila do Vôlei emerge como o principal vetor de crescimento. Sem o peso da máquina pública e distante da polarização mais ruidosa, ela se aproxima dos primeiros colocados a cada nova consulta pública. Seu desempenho indica aderência junto a um eleitorado que demonstra cansaço com figuras excessivamente associadas ao poder e às disputas tradicionais.
O recado das pesquisas vai além da fotografia momentânea. O que elas mostram é movimento. E o movimento, hoje, aponta para um governo que lidera com fragilidade, enfrenta rejeição crescente e vê adversários ganharem tração. A eleição segue aberta, mas um dado já se impõe: o desgaste deixou de ser percepção e passou a ser estatística.
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