sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Em 15 anos, carnaval de rua de SP passou de 20 para 600 blocos


Nos últimos 15 anos, o carnaval de rua de São Paulo viveu um crescimento vertiginoso: passou de 20 blocos em 2012, para 200 em 2014 e, agora, são mais de 600. O evento é regulamentado por decreto municipal desde 2014.

Entre os blocos que já se firmaram no calendário da cidade está o Pagu, que surgiu há dez anos e conta com uma bateria cem por cento feminina. Mariana Bastos, uma das fundadoras do Bloco Pagu, critica a prefeitura pela visão comercial em vez de cultural, o que deixa os blocos tradicionais em desvantagem em relação a megablocos comandados por artistas consagrados.

“Esses blocos que antes contavam com o patrocínio dessas marcas, hoje disputam eh essa verba com outros com esses outros artistas e blocos gigantescos, inclusive de artistas internacionais. Então, eu acho que falta também um pouco de falta de olhar da prefeitura, de olhar o carnaval como um como parte da cultura e não parte de um negócio, né?”

Entre os desafios apontados por blocos como o Pagu está a divulgação tardia de horários e trajetos por parte da prefeitura – cerca de três semanas antes do carnaval, o que dificulta a captação de recursos com patrocinadores. Zé Cury, coordenador do Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval de São Paulo, que representa cerca de 200 blocos, fala sobre o patrocínio de quase R$ 30 milhões oferecido por uma marca de cerveja para este ano.

“Então, se eu sou um bloco que não tem dinheiro e vou nessa cerveja pedir um dinheirinho para o meu bloco, ela fala para mim que desculpa, mas eu já vou aparecer no seu bairro, eu não preciso patrocinar você. Você tá trabalhando de graça para mim, porque você vai fazer o bloco e eu vou pôr minha marca de cerveja inteirinha em volta do seu bloco e os vendedores de cerveja, só podem vender minha marca.”

O carnaval de rua paulistano tem origem nos cordões carnavalescos: o primeiro surgiu no bairro da Barra Funda em 1914 mas, na década de 60, muitos cordões se transformaram em escolas de samba, e a folia das ruas perdeu força. Entre os blocos de rua mais antigos, ainda em atividade, está o Esfarrapados, criado em 1947 no bairro do Bixiga. A relação com o território está na essência dos blocos fundados por foliões em seus próprios bairros. Algo que se perde com a magnitude dos megablocos, segundo Pato Papaterra, um dos fundadores do Bloco Vai Quem Quer.

“Não se mantém uma comunidade numa multidão. É, essa carência hoje está predominando na cidade inteira, né? Assim, são pessoas que tão em busca de uma comunidade, mas que encontram uma multidão, não mais um pequeno bloco, uma comunidade onde é bem recebido, onde é, ele é inserido de uma maneira, ele pode assumir papéis ali dentro do bloco. A própria comunidade, o próprio bloco que pertence à comunidade, acaba cuidando desse espaço.”

Entre as alternativas pensadas pelos blocos tradicionais para um carnaval plural e democrático, com megablocos e blocos menores, está a divisão do patrocínio em mais de uma grande marca, com cotas baixas, e mais verba direcionada do imposto recolhido no ano anterior.

“Nós giramos ano passado R$ 3 bi e 400 milhões. Só no imposto tradicional que é o ISS, ela faturou R$180 milhões. E nós geramos, os blocos geraram isso. E ela só transmite e volta para os blocos 2,5 milhões. Você gasta R$ 7 milhões, você faz os 600 blocos saírem. Sobre o patrocínio da prefeitura, com clareza, com inscrição, com segurança, com roteiro programado, tudo isso pode ser feito.

Mariana Bastos, fundadora do Bloco Pagu, cobra mais antecedência para que os blocos consigam correr atrás dos recursos e mais diálogo com a prefeitura.

“A gente precisa desse movimento e isso depende muito do poder público. Então, acho que falta um pouco essa visão de proteção mesmo, né? Para que as coisas não sejam simplesmente, é, atropeladas, destruídas, senão o que a gente vai ver nos próximos anos é um apagão enorme do que foi construído aqui.”

Em nota, a prefeitura reiterou que, como sempre aconteceu no carnaval da cidade, é de responsabilidade dos organizadores de blocos se viabilizarem economicamente por meio de patrocínio. Ainda de acordo com a prefeitura, a infraestrutura foi projetada para atender integralmente a realização do carnaval de rua e, segundo a SPTuris, não houve atraso na divulgação da programação dos blocos e a prefeitura mantém atendimento presencial, por telefone, whatsapp e e-mail para diálogo e orientação.

*Com sonoplastia de Jailton Sodré e colaboração de Eliane Gonçalves e Maura Martins




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Nos últimos 15 anos, o carnaval de rua de São Paulo viveu um crescimento vertiginoso: passou de 20 blocos em 2012, para 200 em 2014 e, agora, são mais de 600. O evento é regulamentado por decreto municipal desde 2014.

Entre os blocos que já se firmaram no calendário da cidade está o Pagu, que surgiu há dez anos e conta com uma bateria cem por cento feminina. Mariana Bastos, uma das fundadoras do Bloco Pagu, critica a prefeitura pela visão comercial em vez de cultural, o que deixa os blocos tradicionais em desvantagem em relação a megablocos comandados por artistas consagrados.

“Esses blocos que antes contavam com o patrocínio dessas marcas, hoje disputam eh essa verba com outros com esses outros artistas e blocos gigantescos, inclusive de artistas internacionais. Então, eu acho que falta também um pouco de falta de olhar da prefeitura, de olhar o carnaval como um como parte da cultura e não parte de um negócio, né?”

Entre os desafios apontados por blocos como o Pagu está a divulgação tardia de horários e trajetos por parte da prefeitura – cerca de três semanas antes do carnaval, o que dificulta a captação de recursos com patrocinadores. Zé Cury, coordenador do Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval de São Paulo, que representa cerca de 200 blocos, fala sobre o patrocínio de quase R$ 30 milhões oferecido por uma marca de cerveja para este ano.

“Então, se eu sou um bloco que não tem dinheiro e vou nessa cerveja pedir um dinheirinho para o meu bloco, ela fala para mim que desculpa, mas eu já vou aparecer no seu bairro, eu não preciso patrocinar você. Você tá trabalhando de graça para mim, porque você vai fazer o bloco e eu vou pôr minha marca de cerveja inteirinha em volta do seu bloco e os vendedores de cerveja, só podem vender minha marca.”

O carnaval de rua paulistano tem origem nos cordões carnavalescos: o primeiro surgiu no bairro da Barra Funda em 1914 mas, na década de 60, muitos cordões se transformaram em escolas de samba, e a folia das ruas perdeu força. Entre os blocos de rua mais antigos, ainda em atividade, está o Esfarrapados, criado em 1947 no bairro do Bixiga. A relação com o território está na essência dos blocos fundados por foliões em seus próprios bairros. Algo que se perde com a magnitude dos megablocos, segundo Pato Papaterra, um dos fundadores do Bloco Vai Quem Quer.

“Não se mantém uma comunidade numa multidão. É, essa carência hoje está predominando na cidade inteira, né? Assim, são pessoas que tão em busca de uma comunidade, mas que encontram uma multidão, não mais um pequeno bloco, uma comunidade onde é bem recebido, onde é, ele é inserido de uma maneira, ele pode assumir papéis ali dentro do bloco. A própria comunidade, o próprio bloco que pertence à comunidade, acaba cuidando desse espaço.”

Entre as alternativas pensadas pelos blocos tradicionais para um carnaval plural e democrático, com megablocos e blocos menores, está a divisão do patrocínio em mais de uma grande marca, com cotas baixas, e mais verba direcionada do imposto recolhido no ano anterior.

“Nós giramos ano passado R$ 3 bi e 400 milhões. Só no imposto tradicional que é o ISS, ela faturou R$180 milhões. E nós geramos, os blocos geraram isso. E ela só transmite e volta para os blocos 2,5 milhões. Você gasta R$ 7 milhões, você faz os 600 blocos saírem. Sobre o patrocínio da prefeitura, com clareza, com inscrição, com segurança, com roteiro programado, tudo isso pode ser feito.

Mariana Bastos, fundadora do Bloco Pagu, cobra mais antecedência para que os blocos consigam correr atrás dos recursos e mais diálogo com a prefeitura.

“A gente precisa desse movimento e isso depende muito do poder público. Então, acho que falta um pouco essa visão de proteção mesmo, né? Para que as coisas não sejam simplesmente, é, atropeladas, destruídas, senão o que a gente vai ver nos próximos anos é um apagão enorme do que foi construído aqui.”

Em nota, a prefeitura reiterou que, como sempre aconteceu no carnaval da cidade, é de responsabilidade dos organizadores de blocos se viabilizarem economicamente por meio de patrocínio. Ainda de acordo com a prefeitura, a infraestrutura foi projetada para atender integralmente a realização do carnaval de rua e, segundo a SPTuris, não houve atraso na divulgação da programação dos blocos e a prefeitura mantém atendimento presencial, por telefone, whatsapp e e-mail para diálogo e orientação.

*Com sonoplastia de Jailton Sodré e colaboração de Eliane Gonçalves e Maura Martins




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