quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Como fica o discurso “de direta” de Celina com o PP defendendo o Toffoli?


 

Celina Leão tenta, há semanas, consolidar um discurso “de direita”. O movimento é evidente: distanciamento calculado de Ibaneis Rocha para tentar passar à margem do escândalo da compra do Banco Master pelo BRB, e ênfase no discurso para aproximação retórica o eleitorado bolsonarista — sobretudo num cenário em que o a direita não apresentou um nome ao governo.

A estratégia é clara. O problema é que ela esbarra na realidade.

O partido de Celina, o Progressistas (PP), assinou — ao lado da União Brasil — uma carta pública em defesa do ministro do STF Dias Toffoli. O documento, assinado por Ciro Nogueira e por Antonio Rueda, manifesta “preocupação com narrativas” contra o ministro e classifica como potencialmente caluniosas as acusações que vêm sendo feitas.

Vamos traduzir politicamente isso.

Toffoli é visto por amplos setores da direita — especialmente pelo bolsonarismo — como peça central do que eles entendem por “érseguição” do STF. ele foi também central na desconstrução da Lava Jato. Foi sob sua atuação que decisões fundamentais enfraqueceram investigações que atingiam figuras históricas do PT e aliados. Independentemente de mérito jurídico, a percepção política é cristalina: Toffoli é tido como um inimigo pela direita, principalmente pelo bolsonoarismo que Celina tenta colar a imagem.

E aí surge o impasse.

Como sustentar um discurso de alinhamento firme à direita enquanto o próprio partido publica carta defendendo um dos ministros mais odiados por esse mesmo campo político?

A carta do PP e União Brasil de apoio ao ministro vai muito além de pedir prudência. Ela fala em “versão caluniosa”. Só que calúnia, juridicamente, só existe quando há imputação falsa de crime. As investigações ainda estão em curso. Logo, afirmar que se trata de calúnia antes da apuração definitiva é, no mínimo, uma antecipação política.

E é aqui que a incoerência pesa.

Celina tenta ocupar o vácuo da direita no DF, vestindo o figurino conservador com mais intensidade nas últimas semanas. Mas seu partido atua no eixo nacional defendendo uma figura que simboliza, para esse eleitorado, exatamente o oposto do que ela tenta representar.

Isso não é detalhe. É desalinhamento estrutural.

Ou a política nacional do partido não importa quando convém, ou o discurso local é apenas uma adaptação eleitoral.

Não dá para defender bandeiras anti-STF em palanque e, ao mesmo tempo, permanecer confortavelmente em uma legenda que publica nota institucional em defesa de um dos ministros mais atacados por esse campo político.

Não é questão ideológica abstrata. É coerência básica.

Se o discurso é convicção, ele precisa resistir quando confrontado com a própria sigla.
Se é estratégia, ele começa a ruir na primeira contradição pública.

A pergunta, então, não é se Celina pode se declarar de direita. Qualquer político pode escolher seu campo.

A pergunta é outra:

Quando o partido fala, ela fala junto — ou o discurso vale só até onde é eleitoralmente útil?



Source link


 

Celina Leão tenta, há semanas, consolidar um discurso “de direita”. O movimento é evidente: distanciamento calculado de Ibaneis Rocha para tentar passar à margem do escândalo da compra do Banco Master pelo BRB, e ênfase no discurso para aproximação retórica o eleitorado bolsonarista — sobretudo num cenário em que o a direita não apresentou um nome ao governo.

A estratégia é clara. O problema é que ela esbarra na realidade.

O partido de Celina, o Progressistas (PP), assinou — ao lado da União Brasil — uma carta pública em defesa do ministro do STF Dias Toffoli. O documento, assinado por Ciro Nogueira e por Antonio Rueda, manifesta “preocupação com narrativas” contra o ministro e classifica como potencialmente caluniosas as acusações que vêm sendo feitas.

Vamos traduzir politicamente isso.

Toffoli é visto por amplos setores da direita — especialmente pelo bolsonarismo — como peça central do que eles entendem por “érseguição” do STF. ele foi também central na desconstrução da Lava Jato. Foi sob sua atuação que decisões fundamentais enfraqueceram investigações que atingiam figuras históricas do PT e aliados. Independentemente de mérito jurídico, a percepção política é cristalina: Toffoli é tido como um inimigo pela direita, principalmente pelo bolsonoarismo que Celina tenta colar a imagem.

E aí surge o impasse.

Como sustentar um discurso de alinhamento firme à direita enquanto o próprio partido publica carta defendendo um dos ministros mais odiados por esse mesmo campo político?

A carta do PP e União Brasil de apoio ao ministro vai muito além de pedir prudência. Ela fala em “versão caluniosa”. Só que calúnia, juridicamente, só existe quando há imputação falsa de crime. As investigações ainda estão em curso. Logo, afirmar que se trata de calúnia antes da apuração definitiva é, no mínimo, uma antecipação política.

E é aqui que a incoerência pesa.

Celina tenta ocupar o vácuo da direita no DF, vestindo o figurino conservador com mais intensidade nas últimas semanas. Mas seu partido atua no eixo nacional defendendo uma figura que simboliza, para esse eleitorado, exatamente o oposto do que ela tenta representar.

Isso não é detalhe. É desalinhamento estrutural.

Ou a política nacional do partido não importa quando convém, ou o discurso local é apenas uma adaptação eleitoral.

Não dá para defender bandeiras anti-STF em palanque e, ao mesmo tempo, permanecer confortavelmente em uma legenda que publica nota institucional em defesa de um dos ministros mais atacados por esse campo político.

Não é questão ideológica abstrata. É coerência básica.

Se o discurso é convicção, ele precisa resistir quando confrontado com a própria sigla.
Se é estratégia, ele começa a ruir na primeira contradição pública.

A pergunta, então, não é se Celina pode se declarar de direita. Qualquer político pode escolher seu campo.

A pergunta é outra:

Quando o partido fala, ela fala junto — ou o discurso vale só até onde é eleitoralmente útil?



Source link

More articles

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Latest article