terça-feira, abril 7, 2026

Auditoria não é inquérito: cheiro forte de bode expiatório que exala do BRB


Saiu o relatório final da auditoria interna do BRB. E o grande destaque? O nome de Ibaneis Rocha simplesmente não aparece.

Coincidência? Ou apenas o que era de se esperar?

O documento aponta e-mails nos quais o ex-presidente Paulo Henrique Costa e o ex-diretor financeiro Dario Oswaldo de Garcia Junior pressionaram acionistas, ignoraram regras internas de governança e aprovaram a compra de carteiras do Banco Master na casa dos R$ 12 bilhões. Revela ainda que o BRB adquiriu R$ 1,5 bilhão em fundos da Reag depois da Operação Carbono Oculto da PF — aquela que desvendou o esquema de lavagem de dinheiro do PCC via fundos “sobre fundo”. Os próprios técnicos do banco alertaram para risco elevado, prazo curto e ativos investigados. Mesmo assim, o negócio foi fechado.

Mas Ibaneis? Zero menção. Nem um despacho. Nem uma conversa registrada. Nada.

Será que o ex-governador realmente não sabia de nada? Ou será que, justamente por ser quem indicou o presidente do banco, quem despachava diretamente com Paulo Henrique e quem transformou o BRB em uma extensão do Palácio do Buriti, sua interferência simplesmente não precisava constar em documentos oficiais internos?

Porque, convenhamos, crimes de corrupção não são feitos com ofício carimbado e cópia para o arquivo. Eles vivem de dissimulação e ocultação — especialmente do nome dos grandes articuladores. O “chefe” quase nunca assina o e-mail que detona o problema. Quem assina é o peão.

Aqui, o peão escolhido parece que foi Paulo Henrique — o mesmo que se reportava diretamente a Ibaneis, o mesmo que foi colocado no comando do banco cujo acionista majoritário é o Governo do Distrito Federal. A corda mais fraca, como sempre.

A auditoria cumpre seu papel: olha os papéis internos, os contratos, os e-mails. Mas inquérito de verdade — da PF, do MP, do STF — vai muito além. Cruza delações, quebras de sigilo, conversas informais, indicações políticas, todo o ecosistema…

E o ecossistema aponta direto para Ibaneis. O homem que indicou o presidente do banco, que despachava com ele. O mesmo Ibaneis cujo escritório de advocacia recebeu milhões em contratos com Reag, PicPay e todo o círculo do Master. O mesmo que assinava os atos como supremo ordenador de um banco, afinal o acionista majoritário sendo o GDF.

Enquanto isso, o relatório já cumpre sua função política: “Olha, não tem nada com o ex-governador”. Bode expiatório servido.

Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando o nome do homem que mandava no banco some convenientemente do relatório interno, o cheiro que fica no ar não é de inocência. É de quem sabe muito bem como as coisas funcionam de verdade nos bastidores do poder brasiliense. A auditoria pode até não citar Ibaneis. Os inquéritos que estão por vir certamente vão ter muito mais a dizer.



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Saiu o relatório final da auditoria interna do BRB. E o grande destaque? O nome de Ibaneis Rocha simplesmente não aparece.

Coincidência? Ou apenas o que era de se esperar?

O documento aponta e-mails nos quais o ex-presidente Paulo Henrique Costa e o ex-diretor financeiro Dario Oswaldo de Garcia Junior pressionaram acionistas, ignoraram regras internas de governança e aprovaram a compra de carteiras do Banco Master na casa dos R$ 12 bilhões. Revela ainda que o BRB adquiriu R$ 1,5 bilhão em fundos da Reag depois da Operação Carbono Oculto da PF — aquela que desvendou o esquema de lavagem de dinheiro do PCC via fundos “sobre fundo”. Os próprios técnicos do banco alertaram para risco elevado, prazo curto e ativos investigados. Mesmo assim, o negócio foi fechado.

Mas Ibaneis? Zero menção. Nem um despacho. Nem uma conversa registrada. Nada.

Será que o ex-governador realmente não sabia de nada? Ou será que, justamente por ser quem indicou o presidente do banco, quem despachava diretamente com Paulo Henrique e quem transformou o BRB em uma extensão do Palácio do Buriti, sua interferência simplesmente não precisava constar em documentos oficiais internos?

Porque, convenhamos, crimes de corrupção não são feitos com ofício carimbado e cópia para o arquivo. Eles vivem de dissimulação e ocultação — especialmente do nome dos grandes articuladores. O “chefe” quase nunca assina o e-mail que detona o problema. Quem assina é o peão.

Aqui, o peão escolhido parece que foi Paulo Henrique — o mesmo que se reportava diretamente a Ibaneis, o mesmo que foi colocado no comando do banco cujo acionista majoritário é o Governo do Distrito Federal. A corda mais fraca, como sempre.

A auditoria cumpre seu papel: olha os papéis internos, os contratos, os e-mails. Mas inquérito de verdade — da PF, do MP, do STF — vai muito além. Cruza delações, quebras de sigilo, conversas informais, indicações políticas, todo o ecosistema…

E o ecossistema aponta direto para Ibaneis. O homem que indicou o presidente do banco, que despachava com ele. O mesmo Ibaneis cujo escritório de advocacia recebeu milhões em contratos com Reag, PicPay e todo o círculo do Master. O mesmo que assinava os atos como supremo ordenador de um banco, afinal o acionista majoritário sendo o GDF.

Enquanto isso, o relatório já cumpre sua função política: “Olha, não tem nada com o ex-governador”. Bode expiatório servido.

Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando o nome do homem que mandava no banco some convenientemente do relatório interno, o cheiro que fica no ar não é de inocência. É de quem sabe muito bem como as coisas funcionam de verdade nos bastidores do poder brasiliense. A auditoria pode até não citar Ibaneis. Os inquéritos que estão por vir certamente vão ter muito mais a dizer.



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