O Rio Araguaia é um dos principais patrimônios ambientais de Goiás e tem papel que vai além da popular temporada de praias. Ele está ligado à conservação da biodiversidade, à pesca, ao turismo, ao saneamento e à economia goianos, além de integrar um sistema de recursos hídricos estratégico para o país.
Em Goiás, essa importância é reconhecida oficialmente com o Dia Estadual do Rio Araguaia, 2 de outubro. A celebração foi instituída pela Lei nº 20.174/2018, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego). O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a preservação do rio e de seus ecossistemas.
De acordo com o autor da iniciativa, deputado Bruno Peixoto (UB), a escolha da data coincide com o decreto que criou a Área de Proteção Ambiental dos Meandros do Rio Araguaia, a primeira unidade dessa categoria em Goiás. Além disso, pela proximidade com o período de defeso, quando a pesca é restringida para proteger a reprodução dos peixes.
Patrimônio ambiental
O Rio Araguaia nasce na Serra do Caiapó, em Mineiros, próximo ao Parque Nacional das Emas, e percorre mais de 2.100 km. Divisa natural com Mato Grosso, Tocantins e Pará, ele oferece alguns dos cenários naturais mais importantes do centro-oeste.
O rio representa a biodiversidade do Cerrado, com áreas de vegetação nativa e habitats utilizados por diversas espécies. Além disso, o manancial é mundialmente reconhecido pela riqueza pesqueira.
O ecossistema aquático é mundialmente reconhecido pela abundância e sustenta diferente modalidades de pesca. A preservação dos estoques pesqueiros, porém, depende do cumprimento das regras ambientais, incluindo períodos de defeso, tamanhos mínimos de captura e restrições específicas para determinadas espécies. As medidas buscam proteger os ciclos de reprodução e manter as populações de peixes.
De acordo com a organização de conservação ambiental dedicada à proteção das terras e águas The Nature Conservancy, cuidar do Araguaia é vital para manter o equilíbrio ecológico entre o Cerrado e a Amazônia, garantir o abastecimento de água e proteger a riqueza natural da região central do Brasil.
Às margens do rio em Goiás estão também os municípios de Araguaiana, Baliza, Britânia (Distrito de Itacaiú), Nova Crixás (Distrito de Bandeirantes), Bela Vista do Araguaia, São Miguel do Araguaia, Santa Rita do Araguaia e Montes Claros de Goiás (Distrito de Registro do Araguaia).
Sinais de alerta
Resultados de 2026 do Programa Araguaia Vivo 2030, considerado o maior estudo científico sobre bacias hidrográficas do Brasil, mostram que o rio ainda conserva a sua biodiversidade, mas apontam sinais de alerta.
Destacaram-se pressões quanto à perda de vegetação, à qualidade e disponibilidade da água, e à poluição microbiológica em determinados pontos, impactos associados ao uso desordenado do território e riscos vinculados à contaminação por mercúrio.
As mudanças climáticas acrescentam novos desafios à conservação do Araguaia. O cenário reforça necessidade de proteger as nascentes, as áreas de recarga e a vegetação marginal. Isso porque estudos afirmam que esses ambientes ajudam a reduzir processos de erosão e assoreamento e contribuem para manter o ciclo da água.
Desse modo, a importância de conciliar o uso econômico do rio com a proteção dos ambientes naturais que sustentam as atividades locais merece atenção especial. Investimentos em saneamento, recuperação de áreas degradadas, fiscalização e educação ambiental estão entre as medidas que podem contribuir para esse equilíbrio.
Atrativo turístico
Durante o período de seca, entre junho e setembro, a redução do nível do Araguaia expõe extensas faixas de areia e transforma diferentes pontos do rio em destinos turísticos. De outubro a maio, época de cheia, a temporada voltada para o ecoturismo, contemplação e pesca com restrições.
Os ciclos, principalmente o de praia, movimentam hotéis, pousadas, restaurantes, comércio, transporte e outros serviços, gerando renda para os municípios da região.
Em Goiás, destacam-se como destinos as cidades de Aruanã, o principal polo turístico ribeirinho do Estado, o povoado de Luiz Alves, em São Miguel do Araguaia, e Aragarças. Situado no alto Araguaia, este último marca a divisa com Mato Grosso e o famoso encontro das águas.
Ações do Parlamento
A preservação do Araguaia é pauta na Alego, inclusive por meio da Frente Parlamentar em Defesa do Rio Araguaia e das Bacias Hidrográficas do Estado de Goiás.
Com a afirmativa de que o Rio Araguaia é um grande patrimônio turístico e ambiental do Estado de Goiás, o coordenador do grupo, deputado Lucas Calil (MDB), destaca preocupações relacionadas à redução da vazão do rio nas últimas décadas e defende a atuação dos deputados no tema.
O Parlamento goiano atua ainda a partir da proposição de projetos legislativos. Após a aprovação da Casa, alguns já se tornaram lei. Um exemplo deste ano é a Política Estadual de Revitalização de Bacias Hidrográficas, assinada por Antônio Gomide (PT).
A legislação prevê iniciativas ambientais integradas e permanentes para recuperar e conservar os rios, conciliando a manutenção dos recursos hídricos, a proteção dos biomas marginais e o desenvolvimento sustentável.
No texto apresentado à Casa de Leis, Gomide destacou a relevância dos corpos d’água tanto para a população quanto para o desenvolvimento do Estado. Essa importância se traduz, por exemplo, no abastecimento de água potável, na irrigação e na geração de energia.
Outra medida que se tornou lei goiana é a definição oficial do Rio Araguaia como Patrimônio Natural, Histórico, Cultural, Paisagístico e Ecológico do Estado de Goiás. A matéria é da deputada Rosângela Rezende (Agir).
Em sua justificativa ao sugerir o reconhecimento, a autora destacou que a defesa do rio é essencial não apenas pela sua importância ambiental, mas também por seu papel crucial na sustentabilidade e qualidade de vida da região.
