Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) na Assembleia Geral, em 2021, o Dia Mundial de Prevenção ao Afogamento – 25 de julho – visa à conscientização sobre o impacto trágico e profundo do afogamento em famílias e comunidades e a redução do número desse tipo de incidente. Estima-se que cerca de 236.000 pessoas morram afogadas todos os anos. Além disso, o afogamento está entre as dez principais causas de morte de crianças entre 5 e 14 anos.
Os números são superlativos. Segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), 15 brasileiros morrem, diariamente, vítimas de afogamento, sendo que quatro casos são de crianças e dois, de adolescentes. Outro dado que impressiona: a cada 3 dias uma criança morre afogada na piscina da própria casa. São cerca de 5,7 mil mortes por ano no Brasil, crianças e jovens do sexo masculino estão entre as principais vítimas fatais.
Para os pais que pensam que as crianças que sabem nadar estão menos suscetíveis a esses incidentes, cuidado. Ainda de acordo com a entidade, crianças de 4 a 12 anos que sabem nadar se afogam mais pela sucção de bombas em piscinas.
Contribuição legislativa
Em Goiás, iniciativas legislativas apresentadas por parlamentares buscam a redução dessas estatísticas, com a instituição de políticas de prevenção ao afogamento.
Uma das propostas é do deputado estadual Anderson Teodoro (PRD), voltada à redução de acidentes entre crianças e prioriza a conscientização como forma de mitigar o problema.
O projeto de lei prevê alertas sobre a supervisão ininterrupta dos pais e/ou responsáveis, durante a permanência das crianças em meio aquático, a informação sobre medidas de segurança a serem tomadas – como a instalação de câmeras, de isolamentos nos ambientes aquáticos e de ralos antissucção – e a realização de palestras que abordem a importância do esporte de natação e o uso de colete salva-vidas.
Para justificar a proposta, protocolada com o número 3438/24 , o parlamentar cita os dados do Ministério da Saúde, que mostram que no Brasil o afogamento é a segunda maior causa de morte acidental de crianças e de adolescentes de zero a catorze anos. Já com relação às crianças de um a quatro anos de idade, é a causa número um de óbitos acidentais. Portanto, ele ressalta a importância da promoção de ensinamentos que evitem o afogamento infantil.
Ainda de acordo com a justificativa, quando não há o óbito, a maioria dos sobreviventes pode apresentar sequelas neurológicas graves e/ou irreversíveis. Por isso, a conscientização, a atenção, bem como a prevenção são consideradas as melhores alternativas para evitar o afogamento infantil.
Outra iniciativa que trata do assunto foi apresentada pelo deputado Amauri Ribeiro (PL) e, também, dispõe sobre a criação de uma política de prevenção a esse tipo de acidente, porém, é mais abrangente e contempla a conscientização e a segurança da população em geral. De acordo com a proposta, protocolada no Poder Legislativo estadual com o número 4423/24, a política estadual tem por intuito estabelecer ações preventivas, visando a difundir e a compartilhar informações e conhecimentos a respeito da segurança dos banhistas e praticantes de atividades aquáticas nos rios, represas, lagos e outros espelhos d’água, bem como em estabelecimentos com piscinas, tanques aquáticos e similares.
O parlamentar também ressalta os números de afogamentos registrados no Brasil, como justificativa para a propositura. Ele ainda alega que outros estados, como Santa Catariana e Paraná, já contam com legislação parecida, também com o intuito de conscientizar crianças, jovens e adultos por meio de didáticas simplificadas, como brincadeiras ou dinâmicas coletivas. Além disso, prevê orientação sobre quais locais mais adequados para tomar banho em rios, represas ou similares e, em caso de incidentes, como proceder”.
Cuidado
Todos os anos, a família da enfermeira Elenice Vieira dos Santos tem um compromisso inegociável, no mês de julho: por 10 dias, ela, o marido e os três filhos passam 10 dias no Rio Araguaia.
O passeio já é uma tradição familiar, que começou na época do namoro dela com o esposo. O casal conheceu o rio a convite de amigos que foram acampar. Isso foi há 15 anos, amor à primeira vista. Desde então, todo ano, eles aproveitam a temporada em Aruanã.
Um cuidado que o casal sempre teve foi com a segurança antes e durante a viagem, mas depois do casamento e da chegada das crianças, essa preocupação aumentou.
A enfermeira conta que o colete salva-vidas é item obrigatório na travessia e durante os banhos no rio. “Todos usamos colete, adultos e crianças. Sempre observamos o tamanho adequado para o peso e a idade de cada um. Também é preciso observar quando o equipamento começa a estragar. Nós já compramos um novo”, diz.
Outro cuidado é com a supervisão dos filhos. As crianças estão sempre aos cuidados de um adulto, especialmente quando vão ao rio. “Sempre tem alguém cuidando deles: eu, o pai, os avós ou tios. E sempre combinamos quem está responsável pelo monitoramento naquele momento. Quando não se combina, um confia que o outro está olhando e, às vezes, ninguém olha. É aí que pode acontecer um acidente”.
Mais estatísticas e orientações
A preocupação dela tem fundamento. Segundo dados da Sobrasa, os afogamentos em águas naturais respondem por 89,9% dos acidentes, desses, 76,3% são em água doce.
A Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático é uma Organização Não Governamental (ONG), instituição sem fins lucrativos, criada com a missão de unir o Brasil para reduzir os afogamentos. É a principal entidade de prevenção desse tipo de acidente do país.
Segundo o último boletim divulgado pela entidade, os afogamentos constituem um problema mundial, mas o Brasil, por ter uma das áreas banháveis o ano todo, carrega o maior número de resgates aquáticos e um dos maiores números de óbitos do planeta. As informações da Sobrasa são baseadas em dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Seguindo as recomendações da ONU e da OMS, a entidade atua pela prevenção desses casos, como a forma mais eficiente de redução da mortalidade por afogamentos.
O boletim da entidade traz várias informações e as formas de prevenção, entre elas: evitar locais com bandeira vermelha, evitar entrar em rios que têm corredeira – se entrar, a água não pode ultrapassar os joelhos -, quando entrar em embarcações sempre usar colete salva-vidas.
Outras orientações da entidade: caso esteja em perigo, mantenha a calma, tente flutuar e acenar pedindo socorro e não nadar contra a corrente; caso você veja alguém se afogando, jogue um material flutuante e não entre na água para ajudar. Além disso, acione, imediatamente, o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193.
O boletim completo da Sobrasa com todas as informações sobre afogamentos e orientações para a prevenção podem ser acessadas neste link.
