terça-feira, junho 23, 2026

Homem morreu na UPA, mas “não estava buscando atendimento” – não é comigo


Vilmar Pereira da Silva, que morreu esperando – ajuda na UPA de São Sebastião e Eliane Abreu, presidente do IGES_DF: “não estava buscando atendimento”. Créditos – Correio Braziliense

Essa frase traduz em termos claros o que realmente quis dizer a presidente do IGES-DF em entrevista ao Correio Braziliense nessa segunda sobre a morte de um senhor em situação de vulnerabilidade dentro de uma Unidade de “Pronto” Atendimento – UPA (upa cai aqui vou morrer aqui) nesse sábado.

Vilmar Pereira da Silva (sim ele tem nome), 49 anos, morreu sentado numa cadeira de rodas na recepção da UPA do Recanto das Emas. Sem atendimento médico. Sem triagem. Sem ninguém sequer saber direito quem ele era. Ele simplesmente parou de respirar ali, à vista de todos, enquanto esperava.

E o que a presidente do IGES-DF, Eliane Abreu, teve a coragem de dizer? Que o homem não estava buscando atendimento. Segundo ela, Vilmar ia à UPA rotineiramente só para pedir abrigo, água e usar o banheiro. “Ele confirmou que estava lá em busca de abrigo”, afirmou, como se isso tornasse a morte menos grave.

Me reservo para manter a compostura e não usar as palavras que gostaria de fato de escrever sobre esta declaração. Me limito a classificar como REPUGNANTE.

Primeiro, porque mesmo que ele estivesse ali apenas por abrigo — o que já diz muito sobre o fracasso absoluto do Estado em cuidar das pessoas em situação de vulnerabilidade —, o mínimo que se espera de uma Unidade de “Pronto” Atendimento é que alguém olhe para um ser humano caído numa cadeira de rodas e preste socorro. Não é preciso ser médico para perceber que uma pessoa imóvel há muito tempo pode estar em risco.

Mas o mais revoltante é a naturalidade com que tentam transformar a morte de um cidadão dentro de uma unidade de saúde em algo quase normal. “Ele não queria atendimento médico”, diz, pasme, a diretora do Instituto de GESTÃO (só não sei de quê) ESTRATÉGICA (só se for de guerra, pois promove a morte) de SAÚDE (só não sei de quem) do DF. Como se isso absolvesse a total ausência de humanidade do sistema.

Esse caso não é um acidente. É o retrato cru e sem maquiagem do que se tornou a saúde pública no Distrito Federal, primeiro com Ibaneis – o governador que teve um secretário de saúde preso – e sua sucessora, que usa a saúde para criar factoides diários e não resolve nada.

Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando o governo precisa explicar que um homem morreu numa UPA porque “não estava buscando atendimento”, não estamos mais falando de falha operacional. Estamos falando do fim de qualquer vestígio de dignidade no atendimento à população.

A imagem de Vilmar sentado, sozinho, esperando por algo que nunca veio, é o que restou da saúde pública no DF. E nenhuma nota oficial ou declaração esfarrapada consegue esconder isso.



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Vilmar Pereira da Silva, que morreu esperando – ajuda na UPA de São Sebastião e Eliane Abreu, presidente do IGES_DF: “não estava buscando atendimento”. Créditos – Correio Braziliense

Essa frase traduz em termos claros o que realmente quis dizer a presidente do IGES-DF em entrevista ao Correio Braziliense nessa segunda sobre a morte de um senhor em situação de vulnerabilidade dentro de uma Unidade de “Pronto” Atendimento – UPA (upa cai aqui vou morrer aqui) nesse sábado.

Vilmar Pereira da Silva (sim ele tem nome), 49 anos, morreu sentado numa cadeira de rodas na recepção da UPA do Recanto das Emas. Sem atendimento médico. Sem triagem. Sem ninguém sequer saber direito quem ele era. Ele simplesmente parou de respirar ali, à vista de todos, enquanto esperava.

E o que a presidente do IGES-DF, Eliane Abreu, teve a coragem de dizer? Que o homem não estava buscando atendimento. Segundo ela, Vilmar ia à UPA rotineiramente só para pedir abrigo, água e usar o banheiro. “Ele confirmou que estava lá em busca de abrigo”, afirmou, como se isso tornasse a morte menos grave.

Me reservo para manter a compostura e não usar as palavras que gostaria de fato de escrever sobre esta declaração. Me limito a classificar como REPUGNANTE.

Primeiro, porque mesmo que ele estivesse ali apenas por abrigo — o que já diz muito sobre o fracasso absoluto do Estado em cuidar das pessoas em situação de vulnerabilidade —, o mínimo que se espera de uma Unidade de “Pronto” Atendimento é que alguém olhe para um ser humano caído numa cadeira de rodas e preste socorro. Não é preciso ser médico para perceber que uma pessoa imóvel há muito tempo pode estar em risco.

Mas o mais revoltante é a naturalidade com que tentam transformar a morte de um cidadão dentro de uma unidade de saúde em algo quase normal. “Ele não queria atendimento médico”, diz, pasme, a diretora do Instituto de GESTÃO (só não sei de quê) ESTRATÉGICA (só se for de guerra, pois promove a morte) de SAÚDE (só não sei de quem) do DF. Como se isso absolvesse a total ausência de humanidade do sistema.

Esse caso não é um acidente. É o retrato cru e sem maquiagem do que se tornou a saúde pública no Distrito Federal, primeiro com Ibaneis – o governador que teve um secretário de saúde preso – e sua sucessora, que usa a saúde para criar factoides diários e não resolve nada.

Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando o governo precisa explicar que um homem morreu numa UPA porque “não estava buscando atendimento”, não estamos mais falando de falha operacional. Estamos falando do fim de qualquer vestígio de dignidade no atendimento à população.

A imagem de Vilmar sentado, sozinho, esperando por algo que nunca veio, é o que restou da saúde pública no DF. E nenhuma nota oficial ou declaração esfarrapada consegue esconder isso.



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