Reunião no Banco Central para tratar da situação do BRB repercute na CLDF
Tabela SUS Cadanga, educação e saúde, além da situação de feirantes no DF também foram temas dos debates na Câmara
A visita de parlamentares ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir a situação do Banco de Brasília (BRB) repercutiu durante a sessão ordinária desta quarta-feira (20), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Os deputados distritais Max Maciel (PSOL) e Fábio Felix (PSOL) e as deputadas federais Erika Kokay (PT-DF) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) participaram do encontro, ocorrido na manhã desta quarta.
Em sua fala, Maciel manifestou preocupação com o futuro do banco e defendeu que se separem as denúncias envolvendo as operações com o Banco Master da necessidade de se “salvar uma instituição, que é importante para o DF e tem um papel social a ser cumprido”.
Max Maciel disse que Galípolo se mostrou solícito, mas afirmou que o caso será analisado tecnicamente. O distrital ponderou que o GDF tem que apresentar o balancete trimestral, atrasado desde 30 de março, pois somente após a entrega do documento o Banco Central poderá avaliar a viabilidade financeira do BRB. “O que está parecendo é que o GDF está enrolando para deixar passar o período eleitoral e isso pode prejudicar o banco”, finalizou.
O deputado Fábio Felix culpou o ex-governador Ibaneis Rocha pela situação atual do BRB e acrescentou que “a população percebe isso”. “Minha sensação na reunião com o Galípolo é a de que o GDF não está fazendo nada para salvar o banco e está esperando passar as eleições para não ter que responder pelas irregularidades”, analisou ele.
O deputado Chico Vigilante (PT) destacou que a não apresentação do balancete do BRB acarreta multa diária de R$ 50 mil e que o valor já ultrapassa R$ 1 milhão. “E na hora que apresentar o balanço, se não tiver liquidez, vai entrar num regime especial do Banco Central, que afasta a diretoria, coloca um interventor por 180 dias e aí tudo será investigado para saber se o banco tem condições de continuar existindo. Foi isso que o governo Ibaneis fez com o BRB”, lamentou.
Tabela SUS Candanga
O deputado Roosevelt Vilela (PL) contou sobre sua recente viagem a São Paulo, quando teve oportunidade de se reunir com o secretário de Saúde e conhecer mais sobre a tabela SUS Paulista, que inspirou a aprovação recente de modelo semelhante no DF, a tabela SUS Candanga. Ela consiste na contratação suplementar, na rede privada, de procedimentos pelo governo, proposta da qual é um dos autores, ao lado do Executivo.
Segundo ele, a experiência paulista já está mostrando resultados e “reduziu drasticamente o número de mortes de pacientes oncológicos” naquele estado. “Agora vamos ter esta mesma experiência da tabela SUS Candanga, que nada mais é do que um aprimoramento do SUS e que permitirá a ampliação do atendimento à população”, analisou.
Valorização da educação
O deputado Thiago Manzoni (PL) discursou em defesa da valorização da educação de crianças e adolescentes, destacando a importância da capacitação dos jovens para encarar o mercado de trabalho no futuro. Citou ainda a aprovação de projeto de sua autoria, que cria a Carreta da Saúde nas Escolas.
O distrital defendeu ainda outro projeto de sua autoria, que trata da transparência do material didático utilizado pelas escolas. “A ideia é a de que o conteúdo do material esteja disponível para todas as famílias conhecerem de fato o que está sendo ensinado em nossas escolas, para evitar que o ensino nas escolas seja contrário à ética, à moral e à religião ensinada pelas famílias”, explicou, acrescentando que os pais devem ter liberdade para dizer de quais atividades seus filhos não deverão participar.
Situação dos feirantes
Ainda na mesma sessão, o deputado Ricardo Vale (PT) manifestou preocupação com a situação de centenas de feirantes, que estão ameaçados de perder seus espaços diante de uma licitação do GDF. Vale informou que se reuniu com o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Georges Carlos Fredderico Moreira Seigneur, juntamente com uma comissão de feirantes para pedir transparência e justiça na licitação.
O grupo pediu ao procurador que a licitação levasse em conta também critérios sociais e não somente o aspecto financeiro. “Se não ficarem claros os critérios que serão usados, o que vai acontecer é que muitos feirantes vão perder seus espaços para empresários”, ponderou ele. O distrital também criticou o GDF que, segundo ele, não tem sequer um mapeamento sobre os feirantes e quanto tempo eles estão nos locais. Segundo Vale, o MP ficou de procurar o GDF para discutir melhor a situação.
