Na noite de terça-feira (5/5), os advogados de Daniel Vorcaro entregaram à Polícia Federal a proposta de delação premiada do dono do Banco Master.
Ele correu. Se adiantou de propósito.
O motivo é simples e brutal: Vorcaro sabe que Paulo Henrique Costa, o ex-presidente do BRB que ele mesmo usou, também está costurando sua delação. E quem chega primeiro controla mais a narrativa. O banqueiro — o corruptor — não quer dar chance ao “corrupto” de falar primeiro e soltar detalhes que ele preferia manter enterrados.
É a clássica corrida do medo entre os dois.
E em Brasília o pânico é maior do que em qualquer outro lugar.
Ibaneis Rocha já era dado como certo na lista. Mas o nome que mais assusta o Palácio do Buriti neste momento é o da atual governadora Celina Leão.
Ela que passou meses pintando o logo de roxo, criando factoides diários e vendendo a fantasia do “novo governo”, como se não tivesse sido vice-operadora de Ibaneis durante sete anos e quatro meses. Agora, com a delação de Vorcaro já protocolada e a de Paulo Henrique prestes a chegar, o relógio corre contra todos, inclusive ela.
Se o nome de Celina aparecer — e tudo indica que pode aparecer —, mais da metade da sua base evapora. A candidatura derrete. A narrativa desaba. Porque não dá para continuar fingindo que “não sabia de nada” enquanto o ex-presidente do banco controlado pelo governo que ela participou abre o bico.
Ibaneis e Celina estão mais expostos que muita gente graúda de outros estados. Eles não têm o mesmo poder de barganha que alguns figurões do Centrão, do Planalto e do STF têm para negociar a própria ausência da lista.
Tic-tac.
A verdade que se tentou esconder do DF há mais de um ano está prestes a ganhar voz oficial. E quando as duas delações forem homologadas e comparadas, ninguém mais vai conseguir fingir que não sabia.
Durmam com isso. Ou acordem e observem: quando o corruptor corre para entregar a delação antes do corrupto, é porque sabe que o elo mais fraco pode derrubar todo mundo.
No Buriti, o medo é real. E o relógio não para.
