quinta-feira, abril 23, 2026

Não, Lula — você não fará com os Estados Unidos o que eles fizerem com o Brasil


Por Tiago Lucero

Não, Lula — você não fará com os Estados Unidos o que os Estados Unidos fazem com o Brasil.

A frase é sua. A ilusão também.

Nos últimos dias, diante da expulsão de um delegado brasileiro que atuava junto ao sistema de imigração americano, você resolveu vestir a fantasia da reciprocidade. Disse que fará o mesmo. Que responderá à altura. Que tratará os americanos como eles nos trataram.

A retórica é bonita. O problema é a realidade.

Vamos aos fatos.

O governo dos Estados Unidos determinou a retirada de um agente da Polícia Federal brasileira após concluir que ele estava manipulando o sistema de imigração local para atender interesses políticos do Brasil. Não se trata aqui de simpatia ou antipatia. Trata-se de soberania.

Os americanos entenderam, corretamente, que seu sistema interno foi utilizado por um agente estrangeiro para fins que extrapolam a cooperação institucional. E reagiram como qualquer nação reagiria: expulsaram o elemento que consideraram inadequado.

Simples assim.

Não houve bravata. Não houve discurso inflamado. Houve ação.

E o Brasil?

O Brasil respondeu com teatro.

Retirou credenciais de um agente americano em nome de uma tal “reciprocidade” e, em seguida, você apareceu para declarar que fará com eles o que eles fazem conosco.

Não, Lula. Não fará.

E não fará por uma razão elementar: não há simetria entre Brasil e Estados Unidos.

Nunca houve.

A realidade que o seu discurso ignora:

A economia americana representa cerca de um quarto de toda a riqueza produzida no planeta. A brasileira mal alcança dois por cento.

O PIB dos Estados Unidos orbita a casa dos 27 a 29 trilhões de dólares. O do Brasil luta para se manter pouco acima de dois trilhões.

O americano médio produz oito vezes mais riqueza do que o brasileiro médio.

Isso não é opinião. É aritmética.

No campo militar — que, no fim das contas, é o que sustenta qualquer relação internacional — a diferença deixa de ser grande e passa a ser esmagadora.

Os Estados Unidos investem algo próximo de 900 bilhões de dólares por ano em defesa. O Brasil mal ultrapassa 25 bilhões.

Eles possuem:

  • mais de um milhão de tropas ativas
  • cerca de 13 mil aeronaves
  • uma frota naval que se aproxima de 500 embarcações
  • arsenal nuclear com milhares de ogivas

O Brasil:

  • não possui armas nucleares
  • não possui porta-aviões operacionais
  • opera com capacidades limitadas em todos os domínios estratégicos

Isso não é comparação. É desproporção.

Reciprocidade exige equivalência

E aqui está o ponto central — aquele que o seu discurso tenta esconder:

Reciprocidade não é retórica. Reciprocidade é capacidade.

Não se pratica reciprocidade com quem está em outro patamar civilizacional, econômico e militar.

O que você chama de reciprocidade é, na prática, um gesto simbólico vazio. Um aceno para plateias internas. Um teatro político para alimentar a velha e confortável narrativa da culpa externa.

A mesma de sempre.

A culpa é do americano.
A culpa é do imperialismo.
A culpa é de qualquer coisa que não seja o próprio Brasil.

Conveniente. Infantil. Recorrente.

O padrão se repete

Há um ano, há dez, há cinquenta — o roteiro é o mesmo.

Uma parcela da esquerda brasileira precisa de um antagonista externo para justificar suas próprias falhas internas. Precisa de um inimigo que explique o atraso, a corrupção, a incompetência crônica.

E nada é mais útil do que os Estados Unidos para esse papel.

Mas há um problema: o mundo real não se curva à narrativa ideológica.

Os Estados Unidos continuam sendo a principal potência global. Continuam determinando fluxos econômicos, tecnológicos e militares em escala planetária.

E continuarão sendo.

O erro de cálculo

Ao transformar um incidente diplomático em palanque ideológico, você comete um erro clássico:

confunde discurso com poder.

Você pode inflamar plateias. Pode ser aplaudido por militantes. Pode repetir slogans que soam bem em ambientes fechados.

Mas, fora disso, existe um sistema internacional regido por força, interesse e capacidade.

E nesse sistema, o Brasil não dita regras — reage a elas.

Conclusão inevitável

Quando um país sem poder real tenta agir como se tivesse, ele não se torna mais respeitado.

Ele se torna irrelevante.

Ou pior: previsível.

Não, Lula — você não fará com os Estados Unidos o que os Estados Unidos fazem com o Brasil.

Porque para fazer isso seria necessário algo que o seu governo não tem:

peso.

E contra a ausência de peso, não há retórica que sustente.



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Por Tiago Lucero

Não, Lula — você não fará com os Estados Unidos o que os Estados Unidos fazem com o Brasil.

A frase é sua. A ilusão também.

Nos últimos dias, diante da expulsão de um delegado brasileiro que atuava junto ao sistema de imigração americano, você resolveu vestir a fantasia da reciprocidade. Disse que fará o mesmo. Que responderá à altura. Que tratará os americanos como eles nos trataram.

A retórica é bonita. O problema é a realidade.

Vamos aos fatos.

O governo dos Estados Unidos determinou a retirada de um agente da Polícia Federal brasileira após concluir que ele estava manipulando o sistema de imigração local para atender interesses políticos do Brasil. Não se trata aqui de simpatia ou antipatia. Trata-se de soberania.

Os americanos entenderam, corretamente, que seu sistema interno foi utilizado por um agente estrangeiro para fins que extrapolam a cooperação institucional. E reagiram como qualquer nação reagiria: expulsaram o elemento que consideraram inadequado.

Simples assim.

Não houve bravata. Não houve discurso inflamado. Houve ação.

E o Brasil?

O Brasil respondeu com teatro.

Retirou credenciais de um agente americano em nome de uma tal “reciprocidade” e, em seguida, você apareceu para declarar que fará com eles o que eles fazem conosco.

Não, Lula. Não fará.

E não fará por uma razão elementar: não há simetria entre Brasil e Estados Unidos.

Nunca houve.

A realidade que o seu discurso ignora:

A economia americana representa cerca de um quarto de toda a riqueza produzida no planeta. A brasileira mal alcança dois por cento.

O PIB dos Estados Unidos orbita a casa dos 27 a 29 trilhões de dólares. O do Brasil luta para se manter pouco acima de dois trilhões.

O americano médio produz oito vezes mais riqueza do que o brasileiro médio.

Isso não é opinião. É aritmética.

No campo militar — que, no fim das contas, é o que sustenta qualquer relação internacional — a diferença deixa de ser grande e passa a ser esmagadora.

Os Estados Unidos investem algo próximo de 900 bilhões de dólares por ano em defesa. O Brasil mal ultrapassa 25 bilhões.

Eles possuem:

  • mais de um milhão de tropas ativas
  • cerca de 13 mil aeronaves
  • uma frota naval que se aproxima de 500 embarcações
  • arsenal nuclear com milhares de ogivas

O Brasil:

  • não possui armas nucleares
  • não possui porta-aviões operacionais
  • opera com capacidades limitadas em todos os domínios estratégicos

Isso não é comparação. É desproporção.

Reciprocidade exige equivalência

E aqui está o ponto central — aquele que o seu discurso tenta esconder:

Reciprocidade não é retórica. Reciprocidade é capacidade.

Não se pratica reciprocidade com quem está em outro patamar civilizacional, econômico e militar.

O que você chama de reciprocidade é, na prática, um gesto simbólico vazio. Um aceno para plateias internas. Um teatro político para alimentar a velha e confortável narrativa da culpa externa.

A mesma de sempre.

A culpa é do americano.
A culpa é do imperialismo.
A culpa é de qualquer coisa que não seja o próprio Brasil.

Conveniente. Infantil. Recorrente.

O padrão se repete

Há um ano, há dez, há cinquenta — o roteiro é o mesmo.

Uma parcela da esquerda brasileira precisa de um antagonista externo para justificar suas próprias falhas internas. Precisa de um inimigo que explique o atraso, a corrupção, a incompetência crônica.

E nada é mais útil do que os Estados Unidos para esse papel.

Mas há um problema: o mundo real não se curva à narrativa ideológica.

Os Estados Unidos continuam sendo a principal potência global. Continuam determinando fluxos econômicos, tecnológicos e militares em escala planetária.

E continuarão sendo.

O erro de cálculo

Ao transformar um incidente diplomático em palanque ideológico, você comete um erro clássico:

confunde discurso com poder.

Você pode inflamar plateias. Pode ser aplaudido por militantes. Pode repetir slogans que soam bem em ambientes fechados.

Mas, fora disso, existe um sistema internacional regido por força, interesse e capacidade.

E nesse sistema, o Brasil não dita regras — reage a elas.

Conclusão inevitável

Quando um país sem poder real tenta agir como se tivesse, ele não se torna mais respeitado.

Ele se torna irrelevante.

Ou pior: previsível.

Não, Lula — você não fará com os Estados Unidos o que os Estados Unidos fazem com o Brasil.

Porque para fazer isso seria necessário algo que o seu governo não tem:

peso.

E contra a ausência de peso, não há retórica que sustente.



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