Em solenidade conduzida pelo deputado Mauro Rubem (PT), a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) homenageou, na manhã deste sábado, 11, contadores e contadoras de histórias. Durante o encontro, profissionais da área, educadores, agentes culturais e representantes da sociedade civil receberam o Certificado do Mérito do Legislativo.
Além do parlamentar, compuseram a mesa de trabalhos a presidente da Academia Brasileira de Contadores de Histórias (ABCH), Antônia Soares; a presidente da Associação Artístico Cultural Mãos que Tecem Histórias, e confreira da Academia Canedense de Letras, Edvânia Braz Rodrigues; o presidente da Academia Canedense de Letras, Luiz Galvão; o produtor cultural Sam Cyrous; a representante dos Contadores de História de São Paulo, Ivani Magalhães; a representante dos Contadores de História do Maranhão, Lilia Silva Diniz; a representante dos Contadores de História do Rio Grande Do Sul, Vera Maria Hoffmann; a representante dos Contadores de História do Distrito Federal, Florismar Gasparoto; e a produtora cultural de Senador Canedo, Carmelita Gomes. Todos foram à tribuna para discursar.
Ao início da sessão solene, o professor Eliel Barbosa leu o texto “A terra antes do nome”, que aborda e reflete sobre as origens de Goiás. “Não é sobre o passado, é sobre responsabilidades, porque contar histórias não é simplesmente repetir o que aconteceu, é decidir o que continua. Se o território foi construído por escolhas, então, o futuro também será construído por escolhas”, delineou um trecho.
O deputado Mauro Rubem aproveitou o gancho para iniciar a sua fala ecoando a ideia de que a construção de uma narrativa vai além “do que vamos contar, é o que estaremos construindo”. Segundo ele, a desinformação que circula pelo Brasil está criando “fantasmas e monstros que não existem”.
O petista revelou que a sessão solene foi sugerida e articulada por Edvânia Braz, e que se surpreendeu positivamente com a dimensão do momento. “Precisamos mostrar a verdadeira história de mulheres e homens que constroem esse país. Precisamos inundar esta Casa”, disse Mauro Rubem.
Ao mencionar a importância da atividade dessas pessoas para a saúde mental da população, Rubem elogiou: “quanto mais estimularmos contadores e contadoras, quanto mais nos aproximamos da humanidade, mais construímos válvulas de escape e enfrentamos um problema estrutural”.
Condecorados
A presidente da ABCH, Antônia Soares, veio do Rio Grande do Sul para participar da solenidade. “Preciosas criaturas, todas, dou graças a Deus por estar aqui. Deus gosta tanto de histórias que, por isso, criou o mundo e as pessoas”, refletiu. E completou: “Contadores, somos construtores de pontes, e, quem constrói pontes, inspira, prioriza a conexão, alivia, abraça, determina o progresso. O contador de história é tudo isso”.
Articuladora da ocasião, Edvânia Braz compartilhou vivências pessoais que a levaram à área e falou sobre marcos do tema em Goiás, como a criação de um centro de ensino especializado. Em seu próprio caso, narrou, a inspiração veio da mãe e da avó, que possuíam o hábito de lhe contar histórias quando era criança. “Eu gostaria que cada um que está aqui tenha a certeza que tem um papel não apenas na educação, mas na cultura e até nos hospitais”, acrescentou.
Complementarmente, o produtor cultural Sam Cyrous defendeu que a atividade provoca reflexão e análise. “Histórias não mudam o que aconteceu, mudam a nossa relação com o que aconteceu.”
A secretária municipal de Igualdade e Equidade Étnico-Racial de Goiás, Elenízia da Mata, ressaltou o papel das histórias para comunidades marginalizadas. “Por que queremos palavrear? Para reinventar o mundo, um mundo que suprimiu outras possibilidades de existência. Mas, aqui e agora, somos visíveis. Nós temos voz, o que não temos é escuta. Quem tem o direito de ser escutado? Quem tem direito de registrar os seus sentidos de leitura de mundo?”, questionou.
Reconhecimento ao deputado
Pouco antes da entrega dos certificados, a presidente da ABCH, acompanhada de membras que estavam presentes, entregou uma placa de condecoração a Mauro Rubem. “Transforma a Alego em um lugar de escuta ativa. Ele faz desta Casa realmente a Casa do Povo. Contar é preciso, e agregar é fundamental”, aplaudiu Antônia Soares.
Além disso, o grupo entregou ao parlamentar um manifesto solicitando a elaboração de políticas públicas específicas para a área da contação de histórias. “Esse documento é produto da primeira Conferência Nacional de Contadores de Histórias, realizada no ano passado”, explicou Soares.
