segunda-feira, março 23, 2026

Mulheres atletas pedem visibilidade e incentivos em busca de igualdade e inclusão no esporte


Mulheres atletas pedem visibilidade e incentivos em busca de igualdade e inclusão no esporte

Sessão solene trouxe relatos sobre os desafios enfrentados pelas esportistas e pela defesa de incentivos às atletas e às meninas das categorias de base

Mulheres do futebol, voleibol, vôlei de praia, futevôlei, jiu-jitsu, beach tennis, atletismo, capoeira, futebol americano e de outras práticas esportivas foram homenageadas nesta segunda-feira (23), em sessão solene no plenário da Câmara Legislativa. A iniciativa, proposta pela deputada Doutora Jane (Republicanos), foi marcada por relatos sobre os desafios enfrentados pelas esportistas e pela defesa de incentivos às atletas e às meninas das categorias de base. 

“O recorte do esporte é simbólico, é importante, pois muitas vezes esse é considerado um espaço masculino, mas temos certeza de que o lugar das mulheres é onde a competência e a capacidade delas conseguir conduzi-las”, afirmou Doutora Jane. “Hoje é um ato de reconhecimento, de visibilidade a mulheres que, muitas vezes, venceram no silêncio e que nunca desistiram. É preciso coragem para ocupar espaços que, durante muito tempo, disseram que não eram nossos, e é preciso força para provar que somos capazes; cada mulher aqui representa uma vitória”, completou. 

A parlamentar lamentou os casos de violência de gênero no esporte e defendeu aportes financeiros para a profissionalização das atletas, para que não fiquem restritas ao esporte amador. “Precisamos lutar por igualdade, investimentos, respeito e oportunidades reais”, pregou. 

Machismo é desafio 

Decacampeã mundial de futevôlei e 23 vezes campeã brasileira da modalidade, Lana Miranda esteve entre as homenageadas nesta manhã. Ela lembrou parte de sua trajetória no esporte, inicialmente no futebol. “Usava o uniforme dos homens e, muitas vezes, depois de eles terem jogado; ou seja, jogávamos com uniformes sujos”, contou. A atleta ressaltou que sempre sonhou ser campeã e destacou a importância do incentivo da família à prática de esportes. Além disso, Miranda defendeu que as federações invistam na formação de categorias de base femininas

Laura Veloso, do time feminino de futebol da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional DF (OAB/DF), também reforçou a relevância do incentivo às mulheres nos esportes. “O futebol sempre foi um espaço muito machista, é muito importante ter apoio para ocuparmos os espaços que queremos”, assinalou a jogadora. “O esporte muda tudo, oferece muitas oportunidades”, emendou. 

O subsecretário de Esporte, Lazer e Espaços Esportivos do governo do DF, Nivaldo Vieira Felix, salientou que, por meio de um decreto de Getúlio Vargas, as mulheres ficaram 40 anos sem poder jogar futebol no Brasil. A situação perdurou até 1979. O representante do GDF elogiou as atletas presentes, de todas as modalidades, “pelo exemplo de superação”. Por fim, acrescentou: “O esporte melhora a educação, a segurança e a saúde, além de transformar as famílias ao dar oportunidades”. 

 

Importância do exemplo 

Dar visibilidade às mulheres nas mais diversas práticas esportivas é uma forma de estimular o engajamento de mais pessoas e, também, de fazer atletas iniciantes acreditarem em seus potenciais.  

A pentacampeã mundial de jiu jitsu Karen Antunes avalia que foi vendo o exemplo de outras mulheres no tatame que ela passou a acreditar em si mesma: “Estou lá porque vi outras mulheres faixa preta que foram campeãs mundiais”. 

Incentivo do Estado 

O deputado federal Julio Cesar (Republicanos/DF) defendeu políticas públicas de incentivo às mulheres esportistas, “para que possam levar a bandeira do DF para as competições em outros estados e países”. Ele também citou a importância de leis que garantam o pagamento de premiações iguais para homens e mulheres. “É uma questão de justiça”, sublinhou. 

Uma das homenageadas na solenidade, a jogadora de vôlei de praia Ângela Cristina Rebouças Lavalle apontou que as atletas, além de esportistas, costumam desempenhar várias outras funções: são donas de casa, mães, estudantes ou têm outras profissões. “As adversidades são inúmeras, e o apoio do Estado é fundamental“, argumentou, elogiando programas como o “Compete Brasília” e “Bolsa Atleta”. Em sua opinião, ainda falta incentivo para as categorias de base: “Temos de dar condições para nossas meninas”. 


 

Função social 

A prática de esportes pode desempenhar, ainda, importante papel social para as meninas e mulheres. Na sessão solene de hoje, estiveram presentes representantes de vários projetos que têm práticas esportivas como instrumentos de transformação e socialização

“O esporte salva vidas”, apontou Fernanda Iung Lima, faixa preta de jiu jitsu e coordenadora do projeto “Mulheres que Lutam”. A iniciativa utiliza a arte marcial como ferramenta de defesa pessoal, saúde mental e física e empoderamento feminino. 

Por sua vez, a atleta de beach tennis Juliana Vieira apresentou o projeto Butterfly, que é um torneio voltado apenas para mulheres, com o intuito de criar um ambiente de acolhimento e conexão entre as participantes e, também, de evolução no esporte. “Ele nasceu a partir de uma dor, de uma filha que teve câncer. Nesse processo, procuramos não só pessoas para nos ajudar, mas também o esporte”, explicou Vieira. 

Butterfly [borboleta em inglês] é transformação, do casulo a uma linda borboleta”, continuou a idealizadora. “O beach tennis consegue levantar as pessoas, são mulheres que levantam outras por meio do esporte. O jogo em si, a comunicação, o abraço, a conversa pós jogo: tudo isso é importante”, concluiu Juliana Vieira. 



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Mulheres atletas pedem visibilidade e incentivos em busca de igualdade e inclusão no esporte

Sessão solene trouxe relatos sobre os desafios enfrentados pelas esportistas e pela defesa de incentivos às atletas e às meninas das categorias de base

Mulheres do futebol, voleibol, vôlei de praia, futevôlei, jiu-jitsu, beach tennis, atletismo, capoeira, futebol americano e de outras práticas esportivas foram homenageadas nesta segunda-feira (23), em sessão solene no plenário da Câmara Legislativa. A iniciativa, proposta pela deputada Doutora Jane (Republicanos), foi marcada por relatos sobre os desafios enfrentados pelas esportistas e pela defesa de incentivos às atletas e às meninas das categorias de base. 

“O recorte do esporte é simbólico, é importante, pois muitas vezes esse é considerado um espaço masculino, mas temos certeza de que o lugar das mulheres é onde a competência e a capacidade delas conseguir conduzi-las”, afirmou Doutora Jane. “Hoje é um ato de reconhecimento, de visibilidade a mulheres que, muitas vezes, venceram no silêncio e que nunca desistiram. É preciso coragem para ocupar espaços que, durante muito tempo, disseram que não eram nossos, e é preciso força para provar que somos capazes; cada mulher aqui representa uma vitória”, completou. 

A parlamentar lamentou os casos de violência de gênero no esporte e defendeu aportes financeiros para a profissionalização das atletas, para que não fiquem restritas ao esporte amador. “Precisamos lutar por igualdade, investimentos, respeito e oportunidades reais”, pregou. 

Machismo é desafio 

Decacampeã mundial de futevôlei e 23 vezes campeã brasileira da modalidade, Lana Miranda esteve entre as homenageadas nesta manhã. Ela lembrou parte de sua trajetória no esporte, inicialmente no futebol. “Usava o uniforme dos homens e, muitas vezes, depois de eles terem jogado; ou seja, jogávamos com uniformes sujos”, contou. A atleta ressaltou que sempre sonhou ser campeã e destacou a importância do incentivo da família à prática de esportes. Além disso, Miranda defendeu que as federações invistam na formação de categorias de base femininas

Laura Veloso, do time feminino de futebol da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional DF (OAB/DF), também reforçou a relevância do incentivo às mulheres nos esportes. “O futebol sempre foi um espaço muito machista, é muito importante ter apoio para ocuparmos os espaços que queremos”, assinalou a jogadora. “O esporte muda tudo, oferece muitas oportunidades”, emendou. 

O subsecretário de Esporte, Lazer e Espaços Esportivos do governo do DF, Nivaldo Vieira Felix, salientou que, por meio de um decreto de Getúlio Vargas, as mulheres ficaram 40 anos sem poder jogar futebol no Brasil. A situação perdurou até 1979. O representante do GDF elogiou as atletas presentes, de todas as modalidades, “pelo exemplo de superação”. Por fim, acrescentou: “O esporte melhora a educação, a segurança e a saúde, além de transformar as famílias ao dar oportunidades”. 

 

Importância do exemplo 

Dar visibilidade às mulheres nas mais diversas práticas esportivas é uma forma de estimular o engajamento de mais pessoas e, também, de fazer atletas iniciantes acreditarem em seus potenciais.  

A pentacampeã mundial de jiu jitsu Karen Antunes avalia que foi vendo o exemplo de outras mulheres no tatame que ela passou a acreditar em si mesma: “Estou lá porque vi outras mulheres faixa preta que foram campeãs mundiais”. 

Incentivo do Estado 

O deputado federal Julio Cesar (Republicanos/DF) defendeu políticas públicas de incentivo às mulheres esportistas, “para que possam levar a bandeira do DF para as competições em outros estados e países”. Ele também citou a importância de leis que garantam o pagamento de premiações iguais para homens e mulheres. “É uma questão de justiça”, sublinhou. 

Uma das homenageadas na solenidade, a jogadora de vôlei de praia Ângela Cristina Rebouças Lavalle apontou que as atletas, além de esportistas, costumam desempenhar várias outras funções: são donas de casa, mães, estudantes ou têm outras profissões. “As adversidades são inúmeras, e o apoio do Estado é fundamental“, argumentou, elogiando programas como o “Compete Brasília” e “Bolsa Atleta”. Em sua opinião, ainda falta incentivo para as categorias de base: “Temos de dar condições para nossas meninas”. 


 

Função social 

A prática de esportes pode desempenhar, ainda, importante papel social para as meninas e mulheres. Na sessão solene de hoje, estiveram presentes representantes de vários projetos que têm práticas esportivas como instrumentos de transformação e socialização

“O esporte salva vidas”, apontou Fernanda Iung Lima, faixa preta de jiu jitsu e coordenadora do projeto “Mulheres que Lutam”. A iniciativa utiliza a arte marcial como ferramenta de defesa pessoal, saúde mental e física e empoderamento feminino. 

Por sua vez, a atleta de beach tennis Juliana Vieira apresentou o projeto Butterfly, que é um torneio voltado apenas para mulheres, com o intuito de criar um ambiente de acolhimento e conexão entre as participantes e, também, de evolução no esporte. “Ele nasceu a partir de uma dor, de uma filha que teve câncer. Nesse processo, procuramos não só pessoas para nos ajudar, mas também o esporte”, explicou Vieira. 

Butterfly [borboleta em inglês] é transformação, do casulo a uma linda borboleta”, continuou a idealizadora. “O beach tennis consegue levantar as pessoas, são mulheres que levantam outras por meio do esporte. O jogo em si, a comunicação, o abraço, a conversa pós jogo: tudo isso é importante”, concluiu Juliana Vieira. 



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