segunda-feira, março 23, 2026

Deputada Bia de Lima promoveu homenagem às mulheres em sessão solene na manhã desta segunda-feira, 23


A deputada Bia de Lima (PT) realizou na manhã desta segunda-feira, 23, sessão solene denominada “Homenagem às mulheres de luta”, no Plenário Iris Rezende da Casa de Leis.

Além da parlamentar, compuseram a mesa de trabalhos: coordenadora da Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, desembargadora Alice Teles de Oliveira; diretora do Foro da Comarca de Goiânia, juíza Patrícia Dias Bretas; 1ª vice-coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência do Tribunal de Justiça, juíza Simone Pedra Reis; e professora aposentada da Universidade Federal de Goiás (UFG) e militante do Movimento Negro Unificado, mestre em Educação Maria Zita, homenageada com o Título de Cidadania Goiana.

Também na mesa a magnífica reitora da Universidade Federal de Catalão, Roselma Lucchese, homenageada com a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira; a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Iêda Leal; a gerente do Instituto Médico-Legal (IML) de Goiânia, médica legista Rafaella Marques Barbosa; a guarda civil metropolitana e coordenadora do programa Mulher Mais Segura, Kellen Oliveira Antuni; e a administradora do lar Osnilda Aparecida do Amaf Bosco.

Bia de Lima ressaltou a importância das homenageadas. “Cada uma aqui é extraordinariamente importante. Aqui, nesta manhã, quero dizer que todas, cada uma com suas características e seu trabalho cotidiano, em sua luta, são extraordinariamente importantes.”

Ela falou, ainda, do impacto e influência que o sucesso de uma mulher exerce sobre o coletivo feminino e citou a ex-deputada estadual Berenice Artiaga. “Quando vocês resistem, insistem e avançam, levam todas juntas. Foi assim que Berenice Artiaga, primeira deputada estadual de Goiás e corajosa que foi, abriu espaço para que as mulheres depois pudessem participar do cenário, pudessem votar e ocupar este espaço.”

Lima também destacou que valorizar e reconhecer a atuação da mulher na sociedade é evidenciar os avanços e conquistas femininas. Entretanto, ela chamou atenção para os números de feminicídios em Goiás e no Brasil.

A parlamentar considerou que a presença feminina nos espaços de poder é imprescindível para a efetividade da democracia. “Não existe a possibilidade da democracia verdadeira que almejamos, se nós não estivermos lá. Só vai ser um espaço e um Estado democrático de verdade, quando as mulheres estiverem da mesma forma, numericamente e recebendo os mesmos salários (que os homens)”, declarou.

Ela encerrou pontuando que a luta das mulheres não termina após alcançar posições de poder. “A luta tem sido árdua para permanecer, pois também não é simples. Precisamos estar o tempo todo nos afirmando. Mas eu não cheguei aqui para envergonhar as mulheres, mas para enaltecer e ter um outro nível, de fala e de respeito, e valorizar o Poder Legislativo. Mas o caminho é não se calar, nem chorar, mas fazer o que a lei manda e que possamos ter condições de estender nossas mãos umas às outras.”

Cidadã Goiana

A professora aposentada da UFG e militante do Movimento Negro Unificado, mestre em Educação Maria Zita, foi agraciada com o Título de Cidadania Goiana. Em seu discurso ela destacou a importância da luta contínua do movimento negro e da valorização das raízes ancestrais como pilares para a construção de uma sociedade mais justa.

A homenageada, piauiense de nascimento e agora goiana por honra, ressaltou o papel das mulheres negras na resistência diária frente às desigualdades estruturais. “Sou mulher negra nordestina e carrego, na minha trajetória, a força de uma herança que nos fortalece espiritualmente e moralmente.”

Em seguida, a reitora da Universidade Federal de Catalão, Roselma Lucchese, foi homenageada com a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Texeira e em sua fala afirmou que representa as mulheres gestoras do país, especialmente no campo da educação. Ela lembrou que o Brasil possui atualmente 69 universidades federais, sendo três em Goiás: a Universidade Federal de Goiás, a Universidade Federal de Jataí e a Universidade Federal de Catalão. ”Apesar de a educação ser uma área majoritariamente feminina, apenas cerca de 25 dessas instituições são lideradas por reitoras, evidenciando a desigualdade de gênero nos cargos mais altos.”

A reitora enfatizou que cada mulher que ocupa um espaço de liderança carrega consigo a trajetória de muitas outras. “Quando uma mulher avança, ela leva consigo tantas outras. Representamos a força feminina na gestão pública, com responsabilidade e sensibilidade.

Ao final, Roselma Lucchese agradeceu pela homenagem recebida e ressaltou o valor simbólico da honraria concedida pela Assembleia Legislativa de Goiás. Ela dedicou o reconhecimento a todas as mulheres brasileiras, especialmente às mais vulneráveis, reforçando o compromisso de representá-las nos espaços de poder.

Violência

A diretora do Foro da Comarca de Goiânia, juíza Patrícia Dias Bretas, também discursou, e destacou a importância do enfrentamento à violência contra a mulher e defendeu a educação como principal caminho para a transformação social.

A juíza relatou casos de assédio e intimidação registrados durante evento Moto GP, realizado nesse final de semana no autódromo de Goiânia, ressaltando que a violência ocorre até mesmo em ambientes festivos e exige atenção. A magistrada afirmou que medidas punitivas são necessárias, mas insuficientes, defendendo ações preventivas com foco na educação e na formação de uma cultura de respeito.

A magistrada enfatizou o papel das famílias, escolas e instituições públicas nesse processo e reforçou a necessidade de união entre poder público e sociedade para avançar no combate à violência de gênero.

A desembargadora Alice Teles de Oliveira pontuou que o mês de março é oportuno para refletir sobre a situação das mulheres no Brasil ao falar um pouco de seu trabalha como coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).

Alice Oliveira observou que Goiás registrou, em 2025, 60 casos de feminicídio e salientou a importância de atuação conjunta entre os poderes Judiciário e Legislativo e as forças de segurança. “No Brasil, uma mulher é vítima de estupro a cada seis horas. É um número assustado, triste. Sabemos que é estrutural e o Tribunal de Justiça, sozinho, não pode fazer nada. Temos que trabalhar de mãos dadas e cobrar por políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica”, frisou. Assim, ela parabenizou a atuação de Bia de Lima como deputada estadual.

Na sequência, subiu à tribuna a vice-coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência do TJ-GO, Simone Pedra Reis. A magistrada chamou atenção para, além da resposta estatal baseada na repressão, uma “verdadeira transformação cultural” e alertou para a baixa faixa etária dos agressores. “Temos uma geração jovem, misógina e agressiva, que precisa de uma transformação de mentalidade”, frisou.

Ela alertou que, apesar da atuação do Poder Judiciário, vê com preocupação as pequenas atitudes e a repetição de um discurso que legitima piadas machistas e misóginas. “Estamos em um estado de guerra contra as mulheres. Sessenta feminicídios no ano passado, 20 em março deste ano. Qual será esse número em dezembro? Eu vejo com preocupação o crescimento desses números.”

A juíza falou que as mulheres são agentes de transformação da sociedade e, portanto, têm o poder de alterar a mentalidade dos jovens e diminuir o número de casos de violência doméstica. “Precisamos criar nossos meninos com uma mentalidade mais humana e emponderar nossas filhas para que elas não aceitem serem agredidas. Cabe a nós promover essa transformação e temos esse poder”, encerrou.

Ocupar espaços

Diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Iêda Leal também fez uso da fala e enfatizou a necessidade da ocupação dos espaços de poder pelas mulheres e o papel da educação como instrumento de transformação social. “Cada conquista feminina representa o avanço de uma luta coletiva construída ao longo dos ano.”

A sindicalista conclui que a mudança estrutural passa pela formação das novas gerações, defendendo a educação como caminho para combater desigualdades e a violência contra a mulher. Ela também reforçou a necessidade de união e continuidade na luta por direitos, destacando o protagonismo feminino na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.



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A deputada Bia de Lima (PT) realizou na manhã desta segunda-feira, 23, sessão solene denominada “Homenagem às mulheres de luta”, no Plenário Iris Rezende da Casa de Leis.

Além da parlamentar, compuseram a mesa de trabalhos: coordenadora da Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, desembargadora Alice Teles de Oliveira; diretora do Foro da Comarca de Goiânia, juíza Patrícia Dias Bretas; 1ª vice-coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência do Tribunal de Justiça, juíza Simone Pedra Reis; e professora aposentada da Universidade Federal de Goiás (UFG) e militante do Movimento Negro Unificado, mestre em Educação Maria Zita, homenageada com o Título de Cidadania Goiana.

Também na mesa a magnífica reitora da Universidade Federal de Catalão, Roselma Lucchese, homenageada com a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira; a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Iêda Leal; a gerente do Instituto Médico-Legal (IML) de Goiânia, médica legista Rafaella Marques Barbosa; a guarda civil metropolitana e coordenadora do programa Mulher Mais Segura, Kellen Oliveira Antuni; e a administradora do lar Osnilda Aparecida do Amaf Bosco.

Bia de Lima ressaltou a importância das homenageadas. “Cada uma aqui é extraordinariamente importante. Aqui, nesta manhã, quero dizer que todas, cada uma com suas características e seu trabalho cotidiano, em sua luta, são extraordinariamente importantes.”

Ela falou, ainda, do impacto e influência que o sucesso de uma mulher exerce sobre o coletivo feminino e citou a ex-deputada estadual Berenice Artiaga. “Quando vocês resistem, insistem e avançam, levam todas juntas. Foi assim que Berenice Artiaga, primeira deputada estadual de Goiás e corajosa que foi, abriu espaço para que as mulheres depois pudessem participar do cenário, pudessem votar e ocupar este espaço.”

Lima também destacou que valorizar e reconhecer a atuação da mulher na sociedade é evidenciar os avanços e conquistas femininas. Entretanto, ela chamou atenção para os números de feminicídios em Goiás e no Brasil.

A parlamentar considerou que a presença feminina nos espaços de poder é imprescindível para a efetividade da democracia. “Não existe a possibilidade da democracia verdadeira que almejamos, se nós não estivermos lá. Só vai ser um espaço e um Estado democrático de verdade, quando as mulheres estiverem da mesma forma, numericamente e recebendo os mesmos salários (que os homens)”, declarou.

Ela encerrou pontuando que a luta das mulheres não termina após alcançar posições de poder. “A luta tem sido árdua para permanecer, pois também não é simples. Precisamos estar o tempo todo nos afirmando. Mas eu não cheguei aqui para envergonhar as mulheres, mas para enaltecer e ter um outro nível, de fala e de respeito, e valorizar o Poder Legislativo. Mas o caminho é não se calar, nem chorar, mas fazer o que a lei manda e que possamos ter condições de estender nossas mãos umas às outras.”

Cidadã Goiana

A professora aposentada da UFG e militante do Movimento Negro Unificado, mestre em Educação Maria Zita, foi agraciada com o Título de Cidadania Goiana. Em seu discurso ela destacou a importância da luta contínua do movimento negro e da valorização das raízes ancestrais como pilares para a construção de uma sociedade mais justa.

A homenageada, piauiense de nascimento e agora goiana por honra, ressaltou o papel das mulheres negras na resistência diária frente às desigualdades estruturais. “Sou mulher negra nordestina e carrego, na minha trajetória, a força de uma herança que nos fortalece espiritualmente e moralmente.”

Em seguida, a reitora da Universidade Federal de Catalão, Roselma Lucchese, foi homenageada com a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Texeira e em sua fala afirmou que representa as mulheres gestoras do país, especialmente no campo da educação. Ela lembrou que o Brasil possui atualmente 69 universidades federais, sendo três em Goiás: a Universidade Federal de Goiás, a Universidade Federal de Jataí e a Universidade Federal de Catalão. ”Apesar de a educação ser uma área majoritariamente feminina, apenas cerca de 25 dessas instituições são lideradas por reitoras, evidenciando a desigualdade de gênero nos cargos mais altos.”

A reitora enfatizou que cada mulher que ocupa um espaço de liderança carrega consigo a trajetória de muitas outras. “Quando uma mulher avança, ela leva consigo tantas outras. Representamos a força feminina na gestão pública, com responsabilidade e sensibilidade.

Ao final, Roselma Lucchese agradeceu pela homenagem recebida e ressaltou o valor simbólico da honraria concedida pela Assembleia Legislativa de Goiás. Ela dedicou o reconhecimento a todas as mulheres brasileiras, especialmente às mais vulneráveis, reforçando o compromisso de representá-las nos espaços de poder.

Violência

A diretora do Foro da Comarca de Goiânia, juíza Patrícia Dias Bretas, também discursou, e destacou a importância do enfrentamento à violência contra a mulher e defendeu a educação como principal caminho para a transformação social.

A juíza relatou casos de assédio e intimidação registrados durante evento Moto GP, realizado nesse final de semana no autódromo de Goiânia, ressaltando que a violência ocorre até mesmo em ambientes festivos e exige atenção. A magistrada afirmou que medidas punitivas são necessárias, mas insuficientes, defendendo ações preventivas com foco na educação e na formação de uma cultura de respeito.

A magistrada enfatizou o papel das famílias, escolas e instituições públicas nesse processo e reforçou a necessidade de união entre poder público e sociedade para avançar no combate à violência de gênero.

A desembargadora Alice Teles de Oliveira pontuou que o mês de março é oportuno para refletir sobre a situação das mulheres no Brasil ao falar um pouco de seu trabalha como coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).

Alice Oliveira observou que Goiás registrou, em 2025, 60 casos de feminicídio e salientou a importância de atuação conjunta entre os poderes Judiciário e Legislativo e as forças de segurança. “No Brasil, uma mulher é vítima de estupro a cada seis horas. É um número assustado, triste. Sabemos que é estrutural e o Tribunal de Justiça, sozinho, não pode fazer nada. Temos que trabalhar de mãos dadas e cobrar por políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica”, frisou. Assim, ela parabenizou a atuação de Bia de Lima como deputada estadual.

Na sequência, subiu à tribuna a vice-coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência do TJ-GO, Simone Pedra Reis. A magistrada chamou atenção para, além da resposta estatal baseada na repressão, uma “verdadeira transformação cultural” e alertou para a baixa faixa etária dos agressores. “Temos uma geração jovem, misógina e agressiva, que precisa de uma transformação de mentalidade”, frisou.

Ela alertou que, apesar da atuação do Poder Judiciário, vê com preocupação as pequenas atitudes e a repetição de um discurso que legitima piadas machistas e misóginas. “Estamos em um estado de guerra contra as mulheres. Sessenta feminicídios no ano passado, 20 em março deste ano. Qual será esse número em dezembro? Eu vejo com preocupação o crescimento desses números.”

A juíza falou que as mulheres são agentes de transformação da sociedade e, portanto, têm o poder de alterar a mentalidade dos jovens e diminuir o número de casos de violência doméstica. “Precisamos criar nossos meninos com uma mentalidade mais humana e emponderar nossas filhas para que elas não aceitem serem agredidas. Cabe a nós promover essa transformação e temos esse poder”, encerrou.

Ocupar espaços

Diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Iêda Leal também fez uso da fala e enfatizou a necessidade da ocupação dos espaços de poder pelas mulheres e o papel da educação como instrumento de transformação social. “Cada conquista feminina representa o avanço de uma luta coletiva construída ao longo dos ano.”

A sindicalista conclui que a mudança estrutural passa pela formação das novas gerações, defendendo a educação como caminho para combater desigualdades e a violência contra a mulher. Ela também reforçou a necessidade de união e continuidade na luta por direitos, destacando o protagonismo feminino na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.



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