De acordo com a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, o esforço do governador Ibaneis Rocha (MDB) para preservar suas chances de disputar o Senado nas eleições de outubro está colocando em risco uma solução rápida para o rombo bilionário do BRB, provocado pela compra fraudada das carteiras de crédito do Banco Master. Na avaliação dela, quanto mais o governador adia decisões difíceis, maior fica o buraco nas contas do banco estatal — e maiores as chances de intervenção do Banco Central ou até de federalização.
Malu Gaspar destaca que o próprio entorno de Ibaneis reconhece o risco: se até o fim de março, quando o BRB publicar seu balanço, não houver uma solução concreta para cobrir pelo menos os R$ 6,6 bilhões já identificados (e que podem chegar a R$ 15 bilhões nas contas mais pessimistas), o cenário fica insustentável. O governo do Distrito Federal, que fechou 2025 com déficit de R$ 900 milhões, não tem recursos para aportar e o projeto de empréstimo coordenado pela Caixa Econômica Federal depende de aval da Câmara Distrital — aval que Ibaneis parece não ter pressa em buscar.
A analista ressalta que, nos bastidores, o governador já sinalizou preferir empurrar a definição para meados de abril, quando se desincompatibilizará do cargo para disputar o Senado e deixará a “batata quente” nas mãos da vice-governadora Celina Leão (PP). No entanto, Celina, que lidera as pesquisas para o Buriti e também é candidata, já avisou que não aceita receber essa herança bilionária. Deputados ligados a ela e ao PL já sinalizaram que não votarão o projeto de Ibaneis.
Malu Gaspar lembra ainda que o próprio Ibaneis defendeu publicamente a compra do Master em 2025, afirmando que o negócio “nacionalizaria” o BRB e o colocaria entre os grandes bancos do país. Depois da Operação Compliance Zero da PF e da liquidação do banco de Daniel Vorcaro, o governador mudou o tom, atribuindo problemas a “excesso de confiança” no ex-presidente Paulo Henrique Costa, mas continuou defendendo o aliado. Agora, essas declarações se tornaram munição contra sua pré-candidatura ao Senado, em meio a pedidos de impeachment e à forte concorrência de Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Leila do Vôlei.
Enquanto isso, o BRB corre atrás de liquidez na Faria Lima, vendendo carteiras próprias e tentando repassar o pacote deixado pelo Master — mistura de ativos bons (como Credcesta) com títulos ruins e participações em empresas ligadas a Nelson Tanure. Segundo Malu Gaspar, o mercado tem recebido os emissários do banco com desconfiança, e os R$ 5 bilhões já arrecadados estão longe de resolver o problema.
A conclusão da colunista é direta: as pretensões eleitoreiras de Ibaneis podem agravar ainda mais a crise do BRB. Quanto mais ele tenta escapar da responsabilidade agora, maior será o custo político e financeiro que deixará para o próximo governo — e para os cofres do Distrito Federal.




