Enquanto o escândalo envolvendo a compra de ativos do Banco Master pelo BRB ainda produz desdobramentos no Banco Central e na Polícia Federal, um movimento político passou quase silencioso: a indicação de Edison Garcia, presidente da CEB, para presidir o Conselho de Administração do BRB.
A indicação foi feita por Celina Leão, governadora em exercício à época e hoje vice-governadora que tenta se manter à margem do desgaste da operação. O problema é que a nomeação a aproxima justamente do centro da crise.
Edison Garcia está à frente da CEB desde 2019. Conduziu a venda da CEB Distribuição por R$ 2,5 bilhões e tem experiência em conselhos, inclusive na Petrobras. Mas a pergunta não é curricular. A pergunta é contextual: faz sentido deslocar o presidente da companhia responsável pela energia elétrica do DF para comandar o Conselho de Administração de um banco público em meio a uma investigação federal por supostas fraudes bilionárias?
O Conselho de Administração não é figurativo. É o órgão que fiscaliza a diretoria, analisa relatórios, acompanha riscos e fixa diretrizes estratégicas. Em um banco que acabou de ser alvo da Operação “Compliance Zero”, o recado institucional deveria ser inequívoco: reforço máximo de expertise bancária, blindagem técnica, distanciamento político.
O que se viu foi uma substituição conflituosa — com resistência do então presidente do conselho — e uma escolha que, no mínimo, levanta questionamentos sobre prioridade técnica.
A estranheza aumenta quando se observa o cenário da própria CEB. A cidade vive um volume elevado de reclamações relacionadas à iluminação pública. Em um ano, foram mais de 113 mil solicitações registradas. Há questionamentos sobre transparência de relatórios, sobre desempenho contratual e até propostas legislativas para impor prazos mais rígidos para reparo de postes apagados.
Não se trata aqui de condenar antecipadamente gestão ou ignorar que existam justificativas operacionais, como vandalismo ou furto de cabos. Trata-se de constatar um dado simples: a área sob responsabilidade direta do indicado enfrenta pressão pública e institucional.
E, ainda assim, no momento mais delicado da história recente do BRB, optou-se por deslocar essa mesma liderança para presidir o Conselho do banco.
Politicamente, Celina tenta manter distância do escândalo do Master. Mas a indicação para o Consad é um ato formal, institucional e registrado. Não é um gesto lateral — é um movimento estratégico dentro do núcleo de governança do banco.
A crise do BRB não é apenas financeira; é reputacional. Envolve falhas de diligência, questionamentos sobre aquisição de ativos e investigação policial. Nesse contexto, cada nomeação carrega significado.
A conexão CEB–Celina–BRB não é teórica. É administrativa. É oficial. E ela reposiciona a vice-governadora dentro do tabuleiro da crise, não fora dele.
Em política, às vezes não é preciso discursar. As nomeações falam por si.
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